. costumo pensar (estas coisas não se dizem) que as pessoas se definem um pouco pelos rituais que praticam.
no semestre passado, quando falava aos meus alunos sobre a importância dos rituais nas culturas, descobri com eles que há um conjunto de acções – mais ou menos mecânicas – que compõem o nosso dia-a-dia.
o meu dia começa às oito. o ritual de passagem do sono ao estado de alerta inclui um acordar lento, um pequeno-almoço sossegado (na companhia do “Bom dia Portugal”) e só termina quando atravesso a porta de casa.
no final do dia, agradeço a distância que me faz percorrer não sei quantos quilómetros em cerca de vinte minutos. na quinta-feira passada percebi que esses minutos, comigo e com o meu carro, são indispensáveis para o meu equilíbrio e sanidade mental (poderia ainda desenvolver a minha teoria da “curva dos 80”, mas isso fica para mais tarde). vinte minutos a ouvir música, a cantar ou a chorar, a descobrir novos sons (que depois procuro no blip), a lavar a alma do dia que passou e a preparar o espírito para a noite de trabalho que se aproxima.
depois, por volta da uma, volto à cama. antes aproveitava para ler. agora, enquanto aguardo a chegada do livro que espero há semanas, aproveito para pensar – ou escrever – sobre quase tudo e coisa nenhuma.
não sei se são rituais. mas sei que servem para trazer tranquilidade e paz ao meu dia. e isso para mim basta 🙂