. como boa Gémeos que sou, passo mais tempo a fazer planos que a executá-los. já quando era mais nova e tinha de fazer limpezas na casa dos meus pais investia cerca de meia hora a fazer uma lista das divisões que teria de limpar (como se essas mudassem de semana a semana) e, numa outra coluna, o tempo que – segundo os meus cálculos – demoraria a completar a tarefa. era divertido, e terminava (sempre) de forma abrupta com um berro da minha mãe: “Mónica Sofia sai do quarto e começa a fazer alguma coisa!” – mãe é sempre mãe, e ter dois nomes próprios é sempre uma desvantagem para qualquer filho.
mas adiante…
este gosto pela planificação (já lhe chamaram muita coisa mas eu prefiro continuar a chamar “gosto”) levou-me a ser muito boa a organizar tarefas, a desenhar backup-plans e a fazer cronogramas detalhados – o facto de nunca os cumprir não é problemático: não se pode ser bom em tudo, e o meu talento fica-se pelo plano e não pela execução.
assim sendo, passei o dia de ontem a definir as tarefas e os objectivos (alcançáveis) para este ano de 2010. como não acredito nos desejos nem nas típicas resoluções de ano novo (deixar de fumar, deixar de beber, deixar de… gastar muita água) fico-me pelas coisas concretas, realizáveis, mensuráveis. já tenho uma lista que, agora terei de passar para uma agenda. e depois para o iCal. e depois sincronizar com o telefone. é um gosto, este da organização. sim. não são muitos, e duram só até abril, mas já dão para encher o olho 😉
por isso defendo que fazer planos faz-nos (ou pelo menos a mim) bem. são como os paredões nas praias, que as limitam e tornam o mar menos assustador. a água é a mesma, mas está dividida em pedacinhos mais pequenos. e, se ficarmos sem força, sempre nos podemos agarrar às pedras 🙂
.
.
(e para que não se diga que sou obcecada com estas coisas da planificação… na última grande viagem que fizemos quando ainda éramos ricos, eu e o meu comparsa fomos passear até Itália, de carro e sem nada bem definido, o que nos levou a coisas como ir até ao norte de Espanha para depois atravessarmos o centro de França e entrarmos em Itália por Turin. o objectivo era passear em Itália, e foi nisso que concentrei os meus esforços: como chegar lá era, para mim, totally secundário.
ainda sem GPS (tecnologia do demo, juntamente com os fornos micro-ondas e as cassetes “de fita”), orientávamo-nos pelos mapas e a coisa fez-se. descobrimos pequenas vilas que nunca encontraríamos se fossemos direitos às cidades principais, passámos por “percursos pitorescos” que nos deram cabo das costas mas nos encheram a alma de verde e posso afirmar, sem sombra de dúvida, que foram as melhores férias da minha vida. só serão suplantadas quando eu for de novo rica e puder visitar a Grécia ou as ruínas de Machu Pichu)