… a esta hora, já estarei em casa. Já terei defendido a tese, o trabalho do doutoramento já estará, finalmente, concluído.
Quatro anos. Muito tempo 🙂
Recordo-me como se fosse ontem da primeira aula de doutoramento: foi a uma sexta, e na quarta anterior (dois dias antes) tinha recebido o resultado negativo da nossa primeira tentativa para ter um filho. Muito dinheiro gasto, muita angústia, e muito sofrimento. O primeiro passo de um longo caminho, do qual eu – já nessa altura – ansiava por sair.
Tudo passou. Ainda na parte curricular, defendi o mestrado. Dois dias depois, iniciava o protocolo de novo tratamento. Semanas mais tarde, a notícia: estava grávida.
Veio a Mariana, a luz dos meus olhos e a coisa mais importante da minha vida. Depois concorri – e tive – bolsa de doutoramento e pude, durante dois anos, fazer parte de um mundo que me assustava e seduzia ao mesmo tempo. E, durante dois anos, pude – com alguns sobressaltos e muitas noites reduzidas a duas horas de sono – coordenar o papel de estudante e de mãe, brincar e investigar. Aprendi, com a Mariana, a crescer.
Amanhã, mais ou menos a esta hora, estarei em casa.
Não sei o que virá a seguir, e nesta hora – neste minuto, neste segundo – confesso que isso não me assusta nem me interessa por demasia.
Consegui chegar aqui.
Consegui.
E isso já é muito, muito bom 🙂