Tanta coisa para e por dizer…

… e tão pouca vontade de o fazer.

Os dias vão passando, devagar ou depressa, calmos ou agitados, um de cada vez. No tempo que separa o tempo em que escrevia quase sempre deste agora, em que escrevo quase nunca, muita coisa se transformou.

Aprendi que se pode amar exclusivamente e em dobro, num amor que são dois ao mesmo tempo: a Mariana, o amor que me enche a vida de uma alegria que quase dói, e a Margarida, com a sua doçura calma, um anjo que nos veio dizer a todos que a vida continua. Sou mãe duas vezes, amo duas vezes, multiplico-me duas vezes. E sou feliz duas vezes. Junto delas volto a ser eu – tal como sou e não como a “vida” me leva a ser. Elas são o meu chão e o meu céu, as minhas raízes e os meus ramos, são o meu tudo. Nunca fui tão “eu”.

No meio de todas as caixas grandes e pequenas que carrego, aprendi a encaixar mais uma: o avô das minhas filhas é uma falta que se sente todos os dias. Continuo a chorar, sobretudo quando as vejo a rir, nesta felicidade incompleta que dá vida e dói ao mesmo tempo. O  post do SAPO Campus, escrito no ano passado no Algarve numas férias com os avós que “sendo as segundas, sabem a primeiras”, será o último. Pelo menos até ao dia em que já seja capaz de sorrir de saudade, em vez de chorar de dor.

E assim correm os dias, um de cada vez. Calmos ou agitados. Devagar ou depressa.

Tal como deve ser.

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