recomeço.

a Mariana ligou. tirou a sua primeira negativa num teste.

ela esperava mais, a professora diz-lhe que esperava mais. está desiludida, chora, triste. e eu digo-lhe que estou aqui, que vou estar mais aqui.

nos últimos tempos (anos?) a corrida tem sido intensa. não frenética, por vezes dura, mas sempre intensa. tentar recuperar terreno que se perdeu, tentar acompanhar o passo de quem já está na pista, não é fácil e requer muito: tempo, dedicação, esforço, concentração. por vezes, querer (ou nós achamos que sim) que troquemos as nossas prioridades e que olhemos para a meta e não para o caminho.

na semana passada, perguntaram-me “qual é o teu farol?”. respondi “a minha família”.

a minha família – as minhas filhas, o meu marido – são o meu farol, o meu chão e o meu caminho. e nesta pressa de recomeçar, receio que me tenha desviado dele. ou que tenha apenas andado a caminhar/correr pelas beiras, olhando para a estrada mas sem colocar o coração nela.

é hora de me centrar, de recomeçar. não é dissonância cognitiva (será?), é uma necessidade – esta sim, URGENTE – de me sentir no lugar que estou. de me sentir aquilo que sou.

e ainda que isso signifique ser muita coisa ao mesmo tempo, que seja uma coisa em cada tempo.

é isso.

Dia 3, volume II


Dia 3
Dia de DeCA. Dia de ir à UA, numa fugida, buscar os livros e as pastas que fazem falta há já algum tempo e que irão servir, neste mês de julho, como apoio a textos que ainda têm de ser feitos.
Fazer a estrada de carro, sozinha, a ouvir rádio, soube bem.
Estacionar nas traseiras do DeCA soube bem. Dizer olá ao Sr Vítor – depois de ter entrado, aguardado 5 segundos num tapete com desinfetante, higienizado as mãos e verificado se a máscara estava bem colocada – soube bem. Ver o Gabriel e trocar com ele uma antebraçada soube bem 🙂

Depois foi pedir a chave “já nem sei qual é o número da sala!”, subir as escadas, abrir a porta do DigiMedia, e arrumar as minhas coisas num caixote. Agora é organizar tudo cá em casa, para mais um mês de trabalho mais remoto que presencial, e está feito.

Há pouco, comentando um outro post, o Nelson Zagalo dizia que “Estamos quase de volta, falta pouco”.
E soube tão bem ler isso 🙂

O DeCA está cheio de setas, de indicações, de orientações. Foi estranho, são tempos estranhos. Mas, nestes 15 minutos que estive lá dentro – desde que atravessei a porta de entrada até sair em direção ao carro – senti que aquela “casa” (que também é um pouco nossa) está pronta para nos receber.

planos para 2020

. A cada novo ano, faço planos que sei que não vão passar disso. não é um exercício vão, contudo: cada plano que não se concretiza (por inércia, falta de tempo ou mesmo de vontade) representa uma coisa nova que ainda não explorei. e, quase nos 45, ter coisas ainda por viver é muito, muito bom.

(este ano os planos incluem coisas antigas e coisas novas:

  • fazer o Caminho de Santiago, ou o Caminho de Fátima (na verdade, fazer Caminho)
  • comprar uma guitarra, e aprender a tocar isto
  • experimentar Karaoke

não é muito. mas já é alguma coisa )