. gosto de bibliotecas. sempre gostei. lembro-me de ler “O Hobbit” (creio que o primeiro livro grande que requisitei), sentada no chão alcatifado daquela sala sem janelas, a cheirar – a sala – um pouco a mofo e a livros velhos. só se podiam levar três livros de cada vez, fazia-se o caminho a pé de casa até à biblioteca (20 minutos em pernas pequenas), e contavam-se os dias até poder fazer nova troca.
lembro-me do som do carimbo a marcar a caderneta (?) e lembro-me de pensar que, um dia, gostaria de trabalhar num local daqueles. um lugar que cheirasse a livros. um lugar onde os volumes conversassem à noite e onde, em cada livro, repousasse um pouco da emoção de quem o leu.
continuo a gostar de bibliotecas. continuam a cheirar a livros antigos, silenciosas, repousantes. continuam a ter os “produtos” ordenados num sistema particular que quebra as harmonias das cores e das alturas dos volumes. continuam a respeitar o espaço de quem as frequenta e que quer, apenas, estar.
se me pudesse sentar de novo no chão… sim, seria perfeito 🙂