não é fácil ser mãe

  Engane-se quem pensa que é fácil ser pai ou mãe. Que é fácil criar um filho. Que é simples construir uma família. Não é.

No tempo em que os filhos eram apenas filhos e os pais apenas pais, talvez as coisas fossem mais simples. A segurança da ordem estabelecida, do é como sempre foi. Mas hoje não basta ser pai: pedem-nos que sejamos amigos; e companheiros; e educadores.

E firmes. E meigos. E que estabeleçamos limites. E que os deixemos experimentar. E que os incentivemos a ir o mais longe que conseguirem. E que lhes ensinemos que há mais lugares que o primeiro. E que tentem dar o seu melhor. E que podem não querer tentar.

Nascidos de uma geração em que os pais eram pais e os filhos filhos, criados por uma geração em que os pais se tornaram amigos e os filhos ganharam voz, custa-nos conseguir. Porque quando queremos que pensem pela própria cabeça e que questionem a ordem estabelecida, que pensem por si, o fantasma d’ “o pequeno tirano” senta-se no nosso ombro. Quando queremos que percebam que há fenómenos que são como são, a fada do “deixa-o ser, deixa-o viver” instala-se no nosso colo.

Não é fácil carregar, todos os dias, esta incerteza de estar a fazer um bom trabalho. Não é fácil fazer um bom trabalho. Nem sei se é preciso, realmente, fazer um bom trabalho.

Se calhar, ser pai e mãe é afinal mais fácil e mais simples que aquilo que nos querem fazer crer 🙂

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