. as nossas memórias também estão ligadas aos objectos que fazem – ou fizeram – parte da nossa vida. como objectos que são – esses que nos trazem memórias – são por nós considerados como secundários, frios, coisificados, até ao dia em que os deixamos de ter.
como o meu anel de curso, que os meus pais me ofereceram com tanto orgulho quanto esforço.
como o meu anel de noivado, oferecido pelo meu marido no dia em que, finalmente, acedeu a casar comigo.
como a minha aliança de casamento.
como o anel de noivado da minha mãe, uma jóia que eu usava com tanto orgulho quanto devoção.
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quando assaltaram a minha casa – umas semanas antes da Mariana ter nascido – não invadiram apenas o meu espaço. não me deixaram, apenas, com uma sensação de violação. não desfizeram, apenas, a ideia de invulnerabilidade que todos temos, em maior ou menor dose. não roubaram, apenas, ouro.
levaram com eles pedaços das memórias que fazem a minha vida.
e isso não lhes perdoo. e isso não esqueço.
e isso dói.