_ admiro o Pedro Tochas. já fui a três espectáculos dele e, por isso, sei um pouco do que a casa gasta: se abusarmos nos comentários podemos virar motivo de gozo o resto da sessão, se estivermos na primeira fila (e eu já estive) podemos ser atingidos com objectos ou ser convidados a subir ao palco, se sairmos a meio para ir ao WC, comprar água ou o que quer que seja ele pára o espectáculo e espera – falando nisso – que regressemos à sala.
são espectáculos interactivos, semi-estruturados, com piadas fáceis e difíceis. são espectáculos que tornam suportáveis estar a apanhar pingos de chuva na cabeça, enquanto se ouve um “é men (expressão de guerra), esta sala é das melhores onde já actuei”.
quando, no final de uma sessão, fica na sala para “responder e falar convosco sobre o que quiserem”, dá ao público a possibilidade de falar com o artista – não o personagem – que tem orgulho em ser palhaço. que gosta do que faz. que gosta de correr mundo, viajar, que gosta de actuar na rua e receber moedas pelo seu trabalho. que trabalhou para a Frize, é certo, e que “nunca tanta água se vendeu às custas de um gajo como eu”.
não é (só) pelos espectáculos que gosto dele. é, sobretudo, pela paixão que coloca naquilo que faz, o amor que tem à sua arte. é coisa que se nota, que se sente, que se respira. é coisa que (quase) contagia.
e é isso que me falta.
paixão. amor tenho, e de sobra: pela Mariana, pelo papá dela, pela minha família, pelo mundo em geral e pelas flores em particular. mas falta-me paixão. aquela quente, que mexe, que motiva, que faz avançar. aquela agitação que nenhum copo (ou copos) de café consegue substituir.
por isso vou procurá-la. à paixão. que não pode ser só de escrever mas tem também de ser. de sentir. de viver.
quando a encontrar volto. até lá, fiquem bem. e leiam livros 🙂