. Gosto da minha sogra.
A minha sogra é uma pessoa fantástica. Humilde, trabalhadora, generosa, daquelas pessoas que não esfrega na cara dos outros o que tem, mas que em cada dia mostra o que vale. A minha sogra, dentro da sabedoria que lhe deu a vida e para a qual a escola só contribuiu com seis anos de “ensino”, tem uma frase que vale ouro mas que demorei a compreender: “Estou farta desta merda”.
Só isto. Diz isto quando, no Verão, as notícias sobre os incêndios enchem e preenchem os noticiários de hora a hora. Diz isto quando o bolo, pela décima vez, teima em não crescer. Diz isto quando, à hora de jantar, as notícias repetem até à exaustão coisas sobre a austeridade, e o IVA, e os políticos que se enchem e o país que está mau. E, quando diz isto, di-lo com a consciência de que sim, que estamos mal. Que sim, que não vamos ficar melhor. Mas, simplesmente, está farta que lhe repitam isso.
Gosto da minha sogra e, sobretudo, admiro-a. Talvez pela sua capacidade de gerir, pela sua generosidade, pela maneira como levanta a cabeça sem medo de enfrentar as coisas más que estão para vir. Ou, talvez, porque também eu “estou farta desta merda”.