o principezinho


. é um dos livros que mais gosto de ler, e que me tem de certa forma acompanhado ao longo de quase 20 anos. ofereceram-no à minha irmã (que, bem me recordo, protestou e amuou por ter, com pouco mais de 8 anos, recebido um livro infantil…) mas quem o leu fui eu. creio até que fui eu a única pessoa que o li, lá em casa.

e li-o mais que uma vez: li-o com 12 anos, li-o anos mais tarde, li-o aos 20, aos 20 e muitos, e li-o há dias numa livraria, quando andava à procura de livros para oferecer no natal. não o comprei, porque gosto desta espécie de romance que tenho com ele: gosto de o encontrar, seja na prateleira de uma livraria, biblioteca ou até de um hipermercado, de o abrir e ler aquilo que, naquele momento, ele tem para me ensinar.

é uma história que tem crescido comigo: uma vez li as aventuras de um rapaz que gosta de uma flor, outra li a história de alguém que se faz amar e que depois não assume a responsabilidade desse afecto, outra vez descobri que “as coisas têm que ser vistas com os olhos do coração”. da última vez, deve estar agora a fazer duas semanas, li a história de alguém que não entende como se podem cumprir ordens sem lógica, e alguém que não é capaz de, no dia-a-dia, tirar prazer e descobrir coisas novas naquilo que faz (falo do acendedor de candeeiros, que passa a vida a acender e a apagar um candeeiro, minuto sim minuto sim, porque o seu planeta roda cada vez mais depressa. o principezinho viu, naquele planeta, a oportunidade de ver 24 pôr-do-sol…)

também sorri ao ver como o outro habitante de um outro planeta se entretinha a contar as estrelas e a guardar o número (delas) num papel, numa gaveta, mas desta vez foi a história do acendedor de candeeiros que me fez pensar. essa e as palavras do principezinho, quando fala nos seus vulcões: têm três, creio, que limpa com regularidade. mesmo o que está extinto, porque “nunca se sabe quando poderá entrar em erupção”.

durante este ano, grande parte dele, tenho sido um acendedor de candeeiros que negligencia o vulcão que está extinto. tanto o negligenciei, acendendo e apagando apenas o candeeiro, que algumas vezes “eruptei” (palavra nova). saiu fumo, vapor, quase lava. explodi imensas vezes, este ano. como me disseram, andei a “soltar vapor pelos corredores”. talvez por, durante 32 anos, me ter ocupado em demasia em manter limpinhos os vulcões dos outros, e não ter prestado atenção ao meu…

claro que, com isso, descobri (e bem) aquilo que me faz explodir. não sei se pelo stress que foi este ano (o triângulo da minha vida – profissional, pessoal e familiar – foi tudo menos equilátero), se por ter decidido, finalmente, que esta era a hora de acordar… houve quem estranhasse, houve quem aprendesse. e agora há quem me respeite, o que sabe sempre bem.

neste final de ano – e embora não seja dada a balanços nem a resoluções de ano novo – se colocar tudo em cima da mesa (o que de bom e menos bom aconteceu), o painel é francamente positivo. estranho, tipo pintura abstracta, mas positivo. é uma questão de olhar para ele, para a “caixa com três buracos”, e conseguir ver lá dentro a ovelha que se pediu.

quem já leu “o principezinho” sabe do que estou a falar…

quando os doidos saem à rua

. há uma passagem n’”O Pêndulo de Foucault” em que Belbo – uma das personagens – olha com um cepticismo divertido para uma problema em que se encontra envolvido porque o ridículo, o nonsense e a comicidade da situação são tais que anulam qualquer outro tipo de emoção.

hoje senti isso. hoje os loucos sairam à rua, instalaram-se à minha volta e decidiram que eu ia sofrer por todas as asneiras que fiz nesta e nas outras encarnações. juro que por vezes não sei o que se passa com o mundo, com as pessoas, se realmente vale a pena pensar antes de falar ou se calar alguém que berra com um berro ainda maior não será a melhor solução.

há muitos idiotas que passam por nós ao longo dos dias, e há dias em que muitos idiotas passam por nós. nestas alturas a única saída que nos resta, para não perdermos a sanidade, é fazer como o Belbo e cruzar os braços, olhando com interesse para o nó que paira por cima da nossa cabeça.

só assim nos mantemos sãos. ou isso ou mandamos um murro no jogador adversário.

mais do mesmo

. prestes a enviar (mais) uma versão do meu projecto, reformulado por situações alheias à minha vontade – reformular um 18 é estranho, confesso – decidi colocar aqui a foto que marcou esta manhã de 3 de Setembro: a revisão final.

o monstro branco que se vê, meio desfocado, em primeiro plano, é a minha gata Reca II (filha de Reca I, herdeira de sabe-se lá o quê), que tem uma panca acentuada por roupa preta, trabalhos impressos e livros que não me pertencem…

imgp2189.jpg

feito


.  E pronto. Ao fim de quase mês e meio de labuta, muito café, muito nesquick, muitas dores de cabeça e de ombros, muitos “espera-se” e “pretende-se”, muito condicional, muitos nervos e muitos amuos familiares, lá enviei o projecto (quase) final.

Mas… o trabalho ainda não terminou, não. Agora a menina mónica vai ter que tratar de muuuita coisa, pegar nos livrinhos que estão a ganhar pó há semanas, ler as revistinhas e os blogs, fazer mapinhas, pensar um bocadinho e rezar a todos os anjinhos para que tudo dê certo, para que os seus doutores não a mandem dar uma curva e uma certa pessoa decida continuar a ser inovadora. É muita coisa, para dois meses de trabalho. E muita reza…

De resto, e nesta fase tão importante, marcante, aliviante e outras coisas acabadas em ante da minha vida, tenho que agradecer a uma carrada de pessoas: à Olga e à cacau, grandes compañeras de mi bida, que me têm aturado desde maio. À Ib, pelas conversas das duas da manhã, com o msn a ir abaixo e o skype sempre a bombar. Aos meus doutores, que têm tido uma paciência de Job comigo, pois chateio pouco mas incomodo muito. A um certo mestre, que já se deve ter arrependido de me ter recebido em audiência. À minha colega Cris, que tem aguentado as pontas aqui no trabalho quando fecho a porta e me afundo em artigos e citações. À minha mãe, que nem sabe que a filha tem um blog mas que ouviu com interesse a explicação daquilo que seria o trabalho e telefonou, num certo domingo, a avisar: “Mónica, está a dar na Sic uma reportagem sobre aquilo dos bonecos na internet que a tua turma está a estudar”. Grande Mãe! Isso e a arrumação da minha roupa foram factores decisivos para o bom andamento do meu projecto.

E, finalmente, last but not least, um agradecimento muito especial à Anabela, grande amiga, mentora, tudo! A primeira pessoa (extra docs) a ler a minha proposta, e a única que, no meio daquele caos de palavras e vírgulas e afins, entendeu que eu não queria estudar as FERRAMENTAS mas as comunidades, que não queria estudar uma wiki mas o trabalho que ela proporciona. Se algum dia leres isto (e espero sinceramente que não chegues a passar por esse trauma), continuo disponível para te explicar tudo o que quiseres… por skype ou telefone, conta comigo 🙂

E como isto já vai mais longo que o discurso da Miss Universo aquando da sua coroação, termino. Viva la revolucion! Qual Sousa Veloso no seu “TV Rural”,

despeço-me, com amizade.

(a alguém que deve estar chocado com o que acabou de ler: Olga, isto sou eu, no meu estado puro, como já deverias saber pelas nossas conversas no msn. os posts pseudo-intelectuais são devaneios e delírios provocados pelos artigos, tipo varicela. um destes dias mostro-te um outro blog, e aí sim vais bloquear o meu endereço, apagar o meu contacto do skype e jurar a pés juntos a quem te quiser ouvir que nunca tiveste qualquer contacto com a minha pessoa :P)