Post ainda sem título

.  “Há já algum tempo que não escrevo neste espaço” é uma frase que aparece com frequência naqueles blogs cheios de leitores e seguidores, e que normalmente vem seguida de uma interessante justificação-explicação que envolve projectos profissionais, pessoais, mudança de casa, adopção de um cão, mudanças na gaiola do canário, you name it.

Pessoalmente, gostaria de ter começado esta mensagem com essa mesma frase – porque tenho necessidade, na maior parte das minhas aventuras, de por por escrito o “antes” e o “depois”, o “até hoje” e o “a partir de agora”. Sou assim, pronto. Mas como não comecei dessa forma, não seguirei nessa linha e salto directamente (não, aqui o acordo ortográfico não manda) para aquilo que me fez escrever o post: o que eu queria ser /como eu queria viver um dia. E seria assim: mãe de filhos, dias que passam devagar, crianças a brincar no chão de madeira, apanhar pinhas e folhas secas.

É parvo/idiota? Talvez. Pelo menos para quem não me conhece ou me conhece mal. Quem me “sabe”, sabe que para mim isto é tudo, que ver crescer as coisas que a natureza cria e as crianças que a vida nos dá a honra e o privilégio de ter me dá uma paz e uma satisfação/realização que nenhuma carreira brilhantemente fulgurante seria capaz de dar.

Há quem se realize nas/pelas grandes coisas. Eu faço-me com as pequenas 🙂

rituais

.  costumo pensar (estas coisas não se dizem) que as pessoas se definem um pouco pelos rituais que praticam.

no semestre passado, quando falava aos meus alunos sobre a importância dos rituais nas culturas, descobri com eles que há um conjunto de acções – mais ou menos mecânicas – que compõem o nosso dia-a-dia.

o meu dia começa às oito. o ritual de passagem do sono ao estado de alerta inclui um acordar lento, um pequeno-almoço sossegado (na companhia do “Bom dia Portugal”) e só termina quando atravesso a porta de casa.

no final do dia, agradeço a distância que me faz percorrer não sei quantos quilómetros em cerca de vinte minutos. na quinta-feira passada percebi que esses minutos, comigo e com o meu carro, são indispensáveis para o meu equilíbrio e sanidade mental (poderia ainda desenvolver a minha teoria da “curva dos 80”, mas isso fica para mais tarde). vinte minutos a ouvir música, a cantar ou a chorar, a descobrir novos sons (que depois procuro no blip), a lavar a alma do dia que passou e a preparar o espírito para a noite de trabalho que se aproxima.

depois, por volta da uma, volto à cama. antes aproveitava para ler. agora, enquanto aguardo a chegada do livro que espero há semanas, aproveito para pensar – ou escrever – sobre quase tudo e coisa nenhuma.

não sei se são rituais. mas sei que servem para trazer tranquilidade e paz ao meu dia. e isso para mim basta 🙂