Dia 8, volume II

Dia de agradecer. Ontem foi dia de arrumar, de limpar mesas de trabalho (delas), de organizar papéis, pastas e ficheiros. Foi um fechar (ou colocar em pausa?) de um ciclo. A Margarida continua na mesma escola, a Mariana transita para outra escola e vai avançar no ensino articulado.

E por isso mesmo – pelo apoio dado pela Armab, pela professora Eliana e pela professora Eva (que nos atura desde os tempos da Probranca), pela professora Márcia e pela professora Sónia – é dia de agradecer.
Por não terem desistido dos alunos, por terem insistido com os pais 🙂, por terem dado às duas cá de casa o apoio e acompanhamento necessários para as fazer ficar presas, a um sábado de manhã e a um sábado à tarde, a mais umas aulas em Zoom.
Por tudo isto, e muito mais, obrigada ❤

No sábado passado foi o concerto final de encerramento, partilhado no YouTube. E esta – Song for Health – foi a peça tocada pela classe de flautas, onde a Mariana vai fazendo caminho.

living the dream

.  Tenho muita coisa para fazer: terminar a edição de um capítulo da tese (o último, mas com o qual ainda não me entendi, com o qual nunca me entendi), tratar de pequenas coisas da casa, preparar as linhas de trabalho para os próximos meses, definir metas e objetivos, editar o perfil em uma ou duas redes sociais. Tenho tudo isso e mais coisas para tratar… mas quero, hoje – o dia depois de ontem – regressar a este espaço e deixar registado, por escrito, o orgulho que tenho na minha filha.

Neste momento, I’m livin’ the dream.

Sempre sonhei (sim, um sonho) com um tempo em que teria alguém que, comigo, lesse histórias. Que, comigo, pintasse telas e folhas soltas de papel. Que fizesse desenhos. Que folheasse livros. Que partilhasse beijos e carinhos.

Na segunda feira, lemos um livro antes de dormir. Não foi contar uma história nem cantar uma canção (isso faço desde que ela nasceu, todas as noites), mas folhear páginas e descobrir as histórias que se lêem com os olhos e se seguem com um dedo, antes de deitar. Foram minutos que me encheram o peito, tê-la assim encostada, mão na minha mão, enquanto partilhávamos uma história cheia de cores e de letras.

Ontem, quarta, a minha menina surpreendeu-me mais uma vez. Numa visita à escola onde irá ficar a partir da próxima semana, explorou o espaço e brincou com os meninos. Quis ficar, comeu, fez colagens, almoçou, brincou no recreio. E só veio embora porque ainda não era o dia combinado para ficar. E é nestas alturas que me sinto orgulhosa dela, e da forma como a decidi criar: 1/3 pela razão, o resto pelo coração. Seguindo o instinto que me diz (quando eu duvido) qual o melhor caminho a seguir; que cala as vozes de fora, que continuam a insistir que lhe dou demasiado carinho, que lhe dou demasiada atenção.

Quero criar a minha filha para a independência, mas uma independência nascida da segurança e não da necessidade de sobreviver. E, ontem, ela mostrou-me que estamos no caminho certo. Sei que ainda vai chorar, que foi a primeira vez, que foi a novidade, e que – como todos os meninos antes e depois dela – vai chorar, gritar, querer fugir, fazer febre e ficar doente. Sei de tudo isso, não estou alheia da realidade.

Mas também sei que ela é capaz. Que vai conseguir. E que eu vou estar lá, a cada passo e cada tropeço, para lhe dar o sorriso e o abraço que é só nosso.