. há muitos anos – mais precisamente em 93 – trabalhei como monitora na colónia de férias da Torreira. para quem na altura tinha 18 anos os 50 contos que se ganhava em 15 dias de trabalho era uma fortuna. para quem na altura tinha 18 anos, estar responsável por um grupo de 12 meninas vindas de famílias desestruturadas era um desafio, uma angústia e uma fonte de grandes preocupações. mas também de grandes alegrias.
nunca me vou esquecer das férias que lá passei a trabalhar, a dar um pouco – e às vezes tudo – de mim àquelas crianças. da forma como lhes ensinei a usar os talheres, a brincar, a dar beijos e abraços. da forma como consegui, junto com as outras monitoras, fazer com que se esquecessem – pelo menos durante duas semanas – da vida mais escura e triste que tinham em casa.
hoje percebi que também não fui esquecida. há pouco, via facebook, uma daquelas meninas de olhos grandes pediu desculpa pela ousadia de me pedir “amizade” e perguntou se eu era a Mónica Aresta que tinha brincado com ela há tanto tempo atrás.
de um momento para o outro a minha tarde ficou cheia de sol, de luz, de saudades e de alegria.
e isto sabe tão bem… 🙂