. Consegui sobreviver ao dia de hoje, o quinto de um conjunto de dias pautados por febres, choros, apatias e desconsolos. Um dia que, para além das febres e dos choros e das apatias e dos desconsolos, teve ainda a pesar a angústia do resultado de um exame. Uma manhã terrível, em que só queria fugir para um espaço da minha mente onde doenças não existissem, células não se alterassem e a saúde não fosse um bem mas um direito instituído.
Passou o dia de hoje. A Mariana está melhor, não come mas quer brincar; os exames da minha mãe não acusaram nada, e resta apenas mais um para podermos, até nova ameaça, descansar e não pensar em coisas más.
Ontem chorei, de cansaço e de angústia, com o medo de poder perder quem amo mais do que a mim própria. A minha mãe ensinou-me a ser gente, ensinou-me a ser mãe, faz parte da minha vida. É por ela que respiro fundo, foi por causa dela que aprendi a calar e a não ferir, com respostas, aqueles que preferem agredir com palavras.
Cada dia que passo agradeço a escolha que ela fez – que começou antes de eu nascer – e a forma como me fez “gente”. Tenho orgulho em ser sua filha, e de ter uma filha que é sua neta. Digo-lhe isto todos os dias (por muito cansativo que seja de ouvir), e não guardo para ocasiões especiais o beijo que gosto de lhe dar ou o “gosto muito de si” que (sei) ela gosta de ouvir.
Sobrevivi ao dia de hoje. Mas estou fisicamente exausta… e muito, muito cansada.