Gosto de ti.
Baixinho, como um segredo, ainda sem te conhecer.
Gosto-te nos movimentos que sinto e nos que adivinho.
Nos toques vagarosos e suaves com que me encantas e que me trazem,
aos olhos,
os sorrisos que há muito trago nos lábios.
Acho que já te amo. Devagar, num sopro.
Um e num pedaço feito de mim em ti, de um nós que me enlaça e encanta.
Chegaste de surpresa, como chegam as coisas que nos mudam por dentro.
Tiraste-me o chão, mas dás-me o céu.
Guardas-te e cresces-te em mim.
Por ti nascerei de novo, não mais eu-mãe mas eu mãe e mãe.
Serás filha, e irmã.
Juntarás ao amor que fizeste nascer e crescer o amor que trarás contigo,
nuns olhos cor de chumbo e numa pele que ainda não cheira a ser
mas que já sabe a desejo feito verdade.
Gosto de ti. Baixinho, como um segredo.
Ainda falta muito para te conhecer?
[Se na Mariana encontro a serenidade, a Margarida é luz e força. Um amor – escrevo sempre sobre o amor – que brota em torrentes, feito de riso e de sabor a sol. Esperar por um amor assim vale a pena, vale a espera. Esperar por um amor assim vale tudo.]