sonhos

(e de repente, no meio de uma conversa, lembrei-me de como – em tempos que felizmente agora são idos – a(s) acalmava antes de dormir, conduzindo os seus sonhos ainda tão pequeninos por um percurso cheio de luz, nuvens de algodão doce e arco-íris suaves e quentes.
de como procurava que o pesadelo (o medo?) se fosse antes que se tornasse demasiado grande.
de como lhe(s) dizia, baixinho, que “agora pensa que és como a Pinkie Pie. E que estás a voar, a saltar de nuvem em nuvem, e as nuvens são de… “algodão doce?”… sim, de algodão doce. “e a que sabem?”… ao que queres que saibam? a morango, a chocolate? e lá ao fundo, fundo, longe mas cada vez mais perto, está um arco-íris enoooorme, lindo, lindo. e tu saltas muito alto, como a Pinkie Pie, e estás lá em cima e escorregas muuuuito suavemente até caíres numa nuvem fofinha. “de algodão doce?” sim, de algodão doce, tão doce como tu :).

e de repente quase choro, e disfarço que quase choro, porque as mães das crianças pequenas são as guardiãs dos sonhos e as destruidoras dos pesadelos, as que protegem os sonhos tranquilos. e fizemos (fazemos?) isso noite após noite, história após história, afago após afago, divididas entre a esperança de que um dia ela(s) fossem capazes de afastar – sozinhas – os sonhos maus, e a saudade que sabíamos que viria naquele dia/noite em que pudéssemos, finalmente, descansar e depor as armas)

recomeço.

a Mariana ligou. tirou a sua primeira negativa num teste.

ela esperava mais, a professora diz-lhe que esperava mais. está desiludida, chora, triste. e eu digo-lhe que estou aqui, que vou estar mais aqui.

nos últimos tempos (anos?) a corrida tem sido intensa. não frenética, por vezes dura, mas sempre intensa. tentar recuperar terreno que se perdeu, tentar acompanhar o passo de quem já está na pista, não é fácil e requer muito: tempo, dedicação, esforço, concentração. por vezes, querer (ou nós achamos que sim) que troquemos as nossas prioridades e que olhemos para a meta e não para o caminho.

na semana passada, perguntaram-me “qual é o teu farol?”. respondi “a minha família”.

a minha família – as minhas filhas, o meu marido – são o meu farol, o meu chão e o meu caminho. e nesta pressa de recomeçar, receio que me tenha desviado dele. ou que tenha apenas andado a caminhar/correr pelas beiras, olhando para a estrada mas sem colocar o coração nela.

é hora de me centrar, de recomeçar. não é dissonância cognitiva (será?), é uma necessidade – esta sim, URGENTE – de me sentir no lugar que estou. de me sentir aquilo que sou.

e ainda que isso signifique ser muita coisa ao mesmo tempo, que seja uma coisa em cada tempo.

é isso.

Dia do pai

Ao pai guloso.

Aquele que “come as bolachas todas” (como elas diziam quando eram pequenas), que deixa o saco de gomas vazio e dá cabo dos cereais enquanto vê um filme.

Ao pai galinha.

Aquele que não as deixa sair sem casaco mesmo que estejam 24 graus e que diz, todas as noites, “não gosto nada de ver esses pés sem meias”.

Ao pai que se esforça.

Por não reclamar quando as duas se atrasam por causa do eyeliner. Por não protestar quando a bateria dos auscultadores está quase a zero, porque elas os usaram e esqueceram de carregar. Por tentar não se passar numa casa cheia de mulheres.

Ao pai que se preocupa. E que as protege. E que as ama. Sempre, sempre sempre.

Feliz dia do pai, amorzinho ^-^

Vê lá se acordas, que as meninas prepararam uma surpresa para ti 😃