sonhos

(e de repente, no meio de uma conversa, lembrei-me de como – em tempos que felizmente agora são idos – a(s) acalmava antes de dormir, conduzindo os seus sonhos ainda tão pequeninos por um percurso cheio de luz, nuvens de algodão doce e arco-íris suaves e quentes.
de como procurava que o pesadelo (o medo?) se fosse antes que se tornasse demasiado grande.
de como lhe(s) dizia, baixinho, que “agora pensa que és como a Pinkie Pie. E que estás a voar, a saltar de nuvem em nuvem, e as nuvens são de… “algodão doce?”… sim, de algodão doce. “e a que sabem?”… ao que queres que saibam? a morango, a chocolate? e lá ao fundo, fundo, longe mas cada vez mais perto, está um arco-íris enoooorme, lindo, lindo. e tu saltas muito alto, como a Pinkie Pie, e estás lá em cima e escorregas muuuuito suavemente até caíres numa nuvem fofinha. “de algodão doce?” sim, de algodão doce, tão doce como tu :).

e de repente quase choro, e disfarço que quase choro, porque as mães das crianças pequenas são as guardiãs dos sonhos e as destruidoras dos pesadelos, as que protegem os sonhos tranquilos. e fizemos (fazemos?) isso noite após noite, história após história, afago após afago, divididas entre a esperança de que um dia ela(s) fossem capazes de afastar – sozinhas – os sonhos maus, e a saudade que sabíamos que viria naquele dia/noite em que pudéssemos, finalmente, descansar e depor as armas)