recomeço.

a Mariana ligou. tirou a sua primeira negativa num teste.

ela esperava mais, a professora diz-lhe que esperava mais. está desiludida, chora, triste. e eu digo-lhe que estou aqui, que vou estar mais aqui.

nos últimos tempos (anos?) a corrida tem sido intensa. não frenética, por vezes dura, mas sempre intensa. tentar recuperar terreno que se perdeu, tentar acompanhar o passo de quem já está na pista, não é fácil e requer muito: tempo, dedicação, esforço, concentração. por vezes, querer (ou nós achamos que sim) que troquemos as nossas prioridades e que olhemos para a meta e não para o caminho.

na semana passada, perguntaram-me “qual é o teu farol?”. respondi “a minha família”.

a minha família – as minhas filhas, o meu marido – são o meu farol, o meu chão e o meu caminho. e nesta pressa de recomeçar, receio que me tenha desviado dele. ou que tenha apenas andado a caminhar/correr pelas beiras, olhando para a estrada mas sem colocar o coração nela.

é hora de me centrar, de recomeçar. não é dissonância cognitiva (será?), é uma necessidade – esta sim, URGENTE – de me sentir no lugar que estou. de me sentir aquilo que sou.

e ainda que isso signifique ser muita coisa ao mesmo tempo, que seja uma coisa em cada tempo.

é isso.