sobre sorrisos

.  há uns tempos atrás escrevi um post – que depois editei, simplesmente porque gosto de editar aquilo que escrevo – onde falava da importância do sorriso no dia a dia. lembro-me que o comparava a exercício, a algo que fazia bem, essas coisas pseudo-inspiradas e pseudo-inspiradoras.

continuo a defender isso – normalmente defendo o que escrevo 😛 – mas hoje acrescentaria algo mais. o sorriso é algo que nasce de dentro. é um canto sem voz, que começa não se sabe bem onde e que só termina nos olhos. no meu caso, quase sempre em lágrimas.

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hoje não me reconheceram na fotografia que tenho no messenger. um colega meteu conversa, perguntando: “quem é a moça da foto?”, e quando respondi “eu”, disse que não me reconhecia. porque não estava a sorrir.

senti, como já não sentia há algum tempo, que o sorriso não é só meu: é também parte daqueles que convivem comigo, que a mim se habituaram e que comigo contam. e isso, por si só, é já um motivo para sorrir 🙂

sobre a diferença entre cães e gatos

.  neste momento, para além da passarada que anda a comer a fruta do pomar, tenho lá em casa uma cadela e doze gatos – mais concretamente, duas (as mães-) e quatro gatas e seis gatos. são muitos, e é por isso que nestas alturas dou graças por ainda conseguir contar até dez. mas adiante…

os anos que tenho lidado com elas (Petra, a cadela, e Reca I e II, as gatas) ensinaram-me que há diferenças intransponíveis entre cães e gatos. os cães gostam de atenção. fazem festa e querem festas. que ficam tristes quando os descuramos. e depois há os gatos. personalidade forte, vontade mais forte ainda. querem festas quando querem, não quando as queremos dar.

a Petra, rafeira grande e tosca, quer ser amiga das recas. não entendeu, ainda, que há coisas que não acontecem só porque se quer. que a vontade dela, mesmo sendo forte (doze quilos de personalidade)  não é suficiente. a culpa não é dela, nem delas. é, simplesmente, assim.

nos últimos tempos tenho percebido que há muita coisa que não acontece só porque nós queremos ou só porque nos esforçamos. há coisas que simplesmente não acontecem, outras falham, outras deixar de acontecer. e outras ficam para mais tarde.

não é culpa nossa. nem das coisas. é, simplesmente, assim… 🙂

Porque é que eu não gosto de ter MEO em casa

.  Quando só tinha 4 canais de televisão, era feliz. Para além da TVI não chegar nas melhores condições, tinha apenas 4 canais para percorrer. Era o céu.

Agora, com o MEO, os canais são mais que as mães (a FOX tem dois ou três filhos e a AXN também). Passar cinco minutos frente à TV quando “o comando não é MEO”, é uma experiência não apenas perturbante como capaz de despertar o pior que existe cá dentro e que, com grande esforço, tento manter enterrado sob camadas de delicadeza e boa educação.

Quando ainda me esforço para processar as cinco ou seis imagens que acabei de receber já estou sujeita a novo pacote de informação. Quando digo “deixa, quero ver…” já estamos noutro canal. É o inferno. E é apenas o pacote básico.

Ontem à tarde participei numa sessão de zapping :). À noite, a olhar para um bloco de notas, tentei ordenar a informação que batia de um lado para o outro do cérebro. Tarefa impossível.

É. O anti-teaching não é um movimento… é uma filosofia de vida.

o que eu aprendi nos últimos tempos

.  (ou como um hipertexto pode ser bastante útil quando não apetece escrever muito)

mais uma vez estou metida em coisas que me ultrapassam, mas mesmo assim vale a pena. nos últimos tempos aprendi imenso (e não falo de coisas académicas).

aprendi, por exemplo, que o conforto pode surgir mesmo de onde não se espera. que é mais fácil chorar que sorrir, mas que se consegue sorrir quando o coração se parte por dentro.

que numa conversa informal se descobrem novos amigos, e que os novos amigos nos fazem descobrir novos sons.

que não me sinto à-vontade com a exposição, mas que gosto de ser reconhecida em silêncio.

que há vícios que não se perdem, e gostos que se vão ganhando. que ainda gosto (e consigo) fazer desenhos.

que o melhor do mundo são as crianças, mesmo que não possam ser nossas.

que há mais livros na minha mesa que aqueles que consigo ler. que as coisas antigas têm valor, e as velhas amor. que afinal até fico bem nas fotos. que não tenho paciência para coisas estranhas.

é. a vida é uma aprendizagem. e a aprendizagem é um processo. logo, a vida é um processo… e um processo ensina-nos sempre coisas novas =)

há algum tempo atrás…

.  …numa outra vida, escrevi isto:

elogio à preguiça…

a preguiça é um dom, que não está ao alcance de todos… saborear a preguiça é uma arte, uma forma de estar na vida.


é optar por ficar estendido quando nos chamam para correr… é escolher ficar na cama, mesmo quando já não se tem sono…
é olhar para a lista das “coisas por fazer” e pegar numa caneta, para seleccionar o que se fará mais tarde, e o que provavelmente nunca será feito.
é deixar derreter o chocolate na boca, é ficar debaixo do chuveiro depois da hora devida…
é ver o nosso autocarro a arrancar ao longe e optar por observar o seu andar lento, em vez de fazer aquela corrida para o apanhar…


completamente isenta de moral, de pressas, de sustos, a preguiça é na verdade O Dom Supremo… vivê-la é nunca sentir a consciência pesada pelo trabalho que se deixou por fazer.
infelizmente, como tudo de bom na vida, só está ao alcance de alguns privilegiados. para quem a não pode adoptar como estilo de vida, a solução é aprender a aproveitar os pequeninos momentos cedidos aos comuns mortais.


como chegar a casa, tirar os sapatos, e estender-se no sofá. mas antes, convém passar os olhos pela louça por lavar, o jantar por fazer, a roupa por arrumar… (é que só se goza realmente a preguiça quando se tem muuuuito que fazer).
bom descanso!

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há coisas eternas… não há?