há algum tempo atrás…

.  …numa outra vida, escrevi isto:

elogio à preguiça…

a preguiça é um dom, que não está ao alcance de todos… saborear a preguiça é uma arte, uma forma de estar na vida.


é optar por ficar estendido quando nos chamam para correr… é escolher ficar na cama, mesmo quando já não se tem sono…
é olhar para a lista das “coisas por fazer” e pegar numa caneta, para seleccionar o que se fará mais tarde, e o que provavelmente nunca será feito.
é deixar derreter o chocolate na boca, é ficar debaixo do chuveiro depois da hora devida…
é ver o nosso autocarro a arrancar ao longe e optar por observar o seu andar lento, em vez de fazer aquela corrida para o apanhar…


completamente isenta de moral, de pressas, de sustos, a preguiça é na verdade O Dom Supremo… vivê-la é nunca sentir a consciência pesada pelo trabalho que se deixou por fazer.
infelizmente, como tudo de bom na vida, só está ao alcance de alguns privilegiados. para quem a não pode adoptar como estilo de vida, a solução é aprender a aproveitar os pequeninos momentos cedidos aos comuns mortais.


como chegar a casa, tirar os sapatos, e estender-se no sofá. mas antes, convém passar os olhos pela louça por lavar, o jantar por fazer, a roupa por arrumar… (é que só se goza realmente a preguiça quando se tem muuuuito que fazer).
bom descanso!

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há coisas eternas… não há?