. hoje é dia 6 de Novembro e amanhã a Mariana faz sete meses. sete.
poderia avançar dizendo que “parece que foi ontem” mas, se o fizesse, estaria a mentir: não sei se é por ser uma pessoa “do presente” mas o passado parece-me sempre mais distante do que aquilo que realmente é. mas filosofias à parte, o certo é que já se passaram sete meses (sete!) e, neste espaço de tempo, a Mariana cresceu e eu cresci com ela. e isto merece um balanço 🙂
antes da Mariana nascer, mais precisamente duas semanas antes, fui acometida daquele nervoso do “não sei quanto tempo mais isto vai durar”. o papá já só queria ver o bebé cá fora (não sabíamos se era um menino ou uma menina) e eu, pelo contrário, queria mantê-lo cá dentro. o maior tempo possível… a ansiedade de estar à espera, de ter – alguma vez tinha de ser a primeira 😛 – uma coisa que não tinha hora nem data pré-marcada, de não saber se ia demorar uma semana ou apenas dois dias foi, decididamente, a parte mais difícil de gerir. as malas estavam feitas, o quarto estava arranjado, a roupa estava lavada, e só me restava esperar. es-pe-rar. ficar à espera.
irritei-me mais nessas duas semanas que durante os nove meses de gravidez 😛
e, de um dia para o outro, quando eu pensava que ainda faltava algum tempo, a Mariana decidiu nascer. quando lhe apeteceu, que é como os bebés fazem quando os pais têm a mania que querem ter tudo controlado e organizado.
o tempo seguinte – aquele que vai desde o nascimento até o dia de hoje – divido-o em três grandes períodos: as duas primeiras semanas, os três primeiros meses, e o resto.
as duas primeiras semanas foram de trabalhos forçados, com a Mariana a mamar de duas em duas horas e eu a tentar dormir nos intervalos, com a Mariana a chorar nesses intervalos e eu a tentar comer durante os períodos das mamadas. nessas duas semanas fartei-me de ouvir conselhos e opiniões de gente inteligente: que estava a habituar a bebé ao colo, que a estava a viciar na mama; que a devia deixar chorar e não atender de imediato; que, que, que. a Mariana tinha DUAS semanas de vida. duas. acho que só não mandei ninguém ir apanhar morangos porque estávamos em Abril. e porque estava cansada de ouvir “é das hormonas”… 🙂
os três primeiros meses (com estas duas semanas incluídas) foram meses em que o meu lado anti-social se manifestou e instalou. como a Mariana chorava muito (e muito é eufemismo), fui-me habituando a ficar por casa para evitar os comentários e conselhos de gente bem intencionada: que ela só chorava, que o bebé de fulano não era assim, que ela só mamava, que ela, que ela.
acabei por optar por passar os dias em casa para não incomodar os outros e não me incomodar a mim. valeu-me, nesta altura, o conforto da Anabela que, a mais de 300 kms de distância e com o tarifário TAG, me deu a força que precisei eme disse aquilo que precisava ouvir: que deixasse falar; que cada bebé é único e que eu, como mãe, saberia melhor o que deveria fazer do que todos os livros e todos os conselhos de pessoas bem intencionadas; que me deixasse levar pelo instinto, que tudo se iria resolver.
e resolveu 🙂
a Mariana teve todo o colo do mundo nos primeiros meses de vida, e não é bebé de colo. dormiu no meu regaço nas primeiras semanas e agora só adormece no carrinho ou na cama dela. mamou quando quis e agora come as refeições adequadas à idade dela, sem problemas. chorava que se fartava e agora (tempo presente, hoje) é uma menina que se entretém com fitas, livros e bonecos que fazem sons.
amanhã faz sete meses que a Mariana nasceu, e muita coisa mudou. a única coisa que se mantém, e que não prevejo que vá mudar tão cedo, é a ligação que nos une: eu digo “és o meu mundo”. e ela, com os seus olhos cheios de luz, responde em silêncio: “és tudo para mim”.