minha linda Mariana

.  Há dias, num outro espaço, a mamã escreveu sobre a importância de deixar registado – fosse em texto, fosse em desenhos – aquilo que somos e aquilo de que gostamos, para que um dia outros nos pudessem conhecer e entender melhor a forma como víamos e desejávamos o mundo.

Minha linda Mariana, o avô Carlos está doente. O avô do chupa-chupa, do chocolate, o avô do trator. E sabes o que mais custa agora, minha linda Mariana? Pensar que, um dia, só vais saber como ele era, o que ele gostava, a forma como ele tratava de nós todos, pelos registos que nós te passarmos. Porque, minha linda Mariana, o avô Carlos está doente e pode não voltar a ser o avô que tu conheces hoje. O avô que te faz correr e saltar quando ouves o motor do carro, ou o ronco do trator. O avô que tem sempre um chupa para ti, e que te adora mais que ao mundo.

Sabes, minha linda Mariana, é nestas alturas que a mamã percebe que pode escrever muito, pode escrever bem, pode escrever mal, mas que não há palavras nem registos nem o que quer que seja que substituam aquilo que as pessoas são e que nos fazem ser.

O teu avô, Mariana, é um pai. Para ti, para o papá, para a mamã. Está doente, e agora só podemos esperar que fique bom, para depois poder ficar melhor.

Pede ao teu anjinho da guarda que vele por ele, sim?