
Hoje acordaram cedo, ainda antes das oito. Fizeram quase todos os trabalhos, deram abraços e mimos.
Ao almoço, nuggets de frango feitas pela mãe. “Que delícia, tão bom!”
À tarde, com o calor, começa a impaciência. Que está quente, que está calor; que querem ir para a piscina, que querem molhar os pés.
Digo que “a grande só quando o papá chegar”, e encho-lhes a piscina pequena.
Vestem o fato de banho, Mariana molha os pés. Margarida senta-se na água, puxa o Mimos para ela, ri quando ele foge a sacudir o pelo.
Caminham de um lado para o outro, naquela quase tina com dez centímetros de altura de água, “e a grande, mãe, a grande?”, “só quando o papá chegar”.
Magui pede o meu telefone, envia uma mensagem ao pai. “Vem depressa, por favor, é a Margarida”. Na assinatura, um cão com corações. “É o Mimos, para o papá saber que o cachorro também está com calor”.
Dez minutos depois, “Mãe, e a piscina?”, “esperem até o papá chegar”.
E depois de duas horas de pedidos, e lágrimas e quase birras, o pai chega.
Monta-se a piscina, enche-se de água.
“Podemos entrar?”, “claro que não. A água está fria, é do furo, tem de aquecer. Amanhã.”
E a loira cruza os braços, e a morena gere a frustração.
“Não é justo, está calor”.
Pai inflexível, “hoje não”.
Vai para dentro, e regressa com baldes de água quente.
Um, dois, três, muitos.
“O que fazes?”, pergunto.
“Para elas ainda aproveitarem um bocadinho”, responde.
É assim o meu amor, é assim o pai das minhas filhas.
Finge-se de mau, finge que não liga, finge que não quer saber.
Mas faz dez viagens da cozinha até à varanda – carregando baldes cheios de água, no fim de um dia de trabalho – só para as fazer felizes, só para as ver sorrir
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