Dia 8, volume II

Dia de agradecer. Ontem foi dia de arrumar, de limpar mesas de trabalho (delas), de organizar papéis, pastas e ficheiros. Foi um fechar (ou colocar em pausa?) de um ciclo. A Margarida continua na mesma escola, a Mariana transita para outra escola e vai avançar no ensino articulado.

E por isso mesmo – pelo apoio dado pela Armab, pela professora Eliana e pela professora Eva (que nos atura desde os tempos da Probranca), pela professora Márcia e pela professora Sónia – é dia de agradecer.
Por não terem desistido dos alunos, por terem insistido com os pais 🙂, por terem dado às duas cá de casa o apoio e acompanhamento necessários para as fazer ficar presas, a um sábado de manhã e a um sábado à tarde, a mais umas aulas em Zoom.
Por tudo isto, e muito mais, obrigada ❤

No sábado passado foi o concerto final de encerramento, partilhado no YouTube. E esta – Song for Health – foi a peça tocada pela classe de flautas, onde a Mariana vai fazendo caminho.

Dia 3, volume II


Dia 3
Dia de DeCA. Dia de ir à UA, numa fugida, buscar os livros e as pastas que fazem falta há já algum tempo e que irão servir, neste mês de julho, como apoio a textos que ainda têm de ser feitos.
Fazer a estrada de carro, sozinha, a ouvir rádio, soube bem.
Estacionar nas traseiras do DeCA soube bem. Dizer olá ao Sr Vítor – depois de ter entrado, aguardado 5 segundos num tapete com desinfetante, higienizado as mãos e verificado se a máscara estava bem colocada – soube bem. Ver o Gabriel e trocar com ele uma antebraçada soube bem 🙂

Depois foi pedir a chave “já nem sei qual é o número da sala!”, subir as escadas, abrir a porta do DigiMedia, e arrumar as minhas coisas num caixote. Agora é organizar tudo cá em casa, para mais um mês de trabalho mais remoto que presencial, e está feito.

Há pouco, comentando um outro post, o Nelson Zagalo dizia que “Estamos quase de volta, falta pouco”.
E soube tão bem ler isso 🙂

O DeCA está cheio de setas, de indicações, de orientações. Foi estranho, são tempos estranhos. Mas, nestes 15 minutos que estive lá dentro – desde que atravessei a porta de entrada até sair em direção ao carro – senti que aquela “casa” (que também é um pouco nossa) está pronta para nos receber.

Dia 2, volume II


Dia de ir buscar o que ficou na escola, de subir as escadas que levam ao primeiro piso, de falar com a professora. Dia de falar, dia de ouvir. Uma conversa curta, filtrada, escutada nos olhos e nos movimentos das mãos.
Gosto da professora da Mariana. Gosto desde o primeiro dia. Vamos continuar a gostar.

Fim do dia, regressam cansadas. Foi dia de caminhada, de skate park, de brincadeiras, tantas que no meio de tudo quase se esquecem das novas regras de convivência social: o trocar o calçado, o lavar mais uma vez as mãos, o usar a máscara, o almoçar cadeira sim cadeira não.
O regresso à Probranca, ao ATL, está-nos a fazer bem. Eu tenho tempo durante o dia para trabalhar, tenho tempo à hora de almoço para pensar no que ainda precisa ser pensado. E elas têm tempo para brincar, para estar com outros miúdos, para re-sentir o cheiro àquelas paredes que também são as delas há alguns anos.

Antes dos banhos, Mariana pede para ler em voz alta os trabalhos da escola. Folheia-os um a um, “não entendo como só tive Bom neste desenho”, passamos pela matemática, terminamos com o Inglês.
É aqui que peço que espere um bocadinho.
E vou buscar o chapéu que fará a vez da cartola, o caldeirão que fará a vez do penico, a vela que fará a vez da bengala.
E digo-lhe que este este é o ano em que muda de escola. Que este é um ano em que navegou em águas calmas e depois mais agitadas.
E é o ano em que conseguiu conquistar tudo o que havia a ser conquistado nestes mates. E digo-lhe que neste ano teve de misturar um bocadinho de escola e de casa, de mexer tudo muito bem, de temperar com ou duas lágrimas e de salpicar com muitos risos. E que tudo isso resultou na poção mágica que nos deu mais força nestes dias.
E digo-lhe que nestes dias, nestes meses, tem sido luz. A luz que me ilumina, a luz que ilumina os outros. Que muitas vezes me apontou o caminho, e me deixou ver para além das nuvens escuras.
E depois passo-lhe o diploma do 4º ano para as mãos.

E ela sorri, olhos castanhos cheios de luz, solta um “obrigada!” e num abraço onde não há reservas diz, com aquele jeitinho que é só dela:
“Obrigada por isto. És a melhor mãe do mundo”.