Cinquenta e três dias passados com elas. Quase cinquenta a adormecer nos seus braços, quase cinquenta a sair da cama de fininho para não as acordar.
Hoje deixei-me ficar no meio delas. Houve pequeno-almoço na cama, bolo e leite com chocolate. Houve caixa surpresa que se abre em frases lindas, escritas em azul e amarelo “porque são as cores que gostas mais”. Houve rebuçados de açúcar em forma de coração, que eu ajudei a fazer mas que “não sabias que eram para ti, pois não?”. Houve quatro pássaros em gesso, pintados a duas cores e que são agora um jogo da memória. Houve flores. Houve um anel, entregue numa caixa enfeitada de brilhantes.
E houve mimo. Muito mimo.
“Desconfiaste que te íamos fazer o pequeno-almoço?”
Não, nunca.
“Sabias que estes rebuçados eram para ti?”
Como poderia saber, se quando combinaram isso à minha frente o fizeram em voz baixa?
“Sabias da caixa? E do anel?”
Não, não sabia. Ontem, quando me mediram o dedo por duas vezes, nem pensei para que poderia ser ![]()
Guardar segredos, fingir que não se ouve, olhar sem ver quando a mesa está cheia de gesso e marcadores, também faz parte deste serviço, deste previlégio que é poder acompanhar estas crianças a crescer.
Feliz dia, mães ![]()