it’s nice to be here

.  gosto de bibliotecas. sempre gostei. lembro-me de ler “O Hobbit” (creio que o primeiro livro grande que requisitei), sentada no chão alcatifado daquela sala sem janelas, a cheirar – a sala – um pouco a mofo e a livros velhos. só se podiam levar três livros de cada vez, fazia-se o caminho a pé de casa até à biblioteca (20 minutos em pernas pequenas), e contavam-se os dias até poder fazer nova troca.

lembro-me do som do carimbo a marcar a caderneta (?) e lembro-me de pensar que, um dia, gostaria de trabalhar num local daqueles. um lugar que cheirasse a livros. um lugar onde os volumes conversassem à noite e onde, em cada livro, repousasse um pouco da emoção de quem o leu.

continuo a gostar de bibliotecas. continuam a cheirar a livros antigos, silenciosas, repousantes. continuam a ter os “produtos” ordenados num sistema particular que quebra as harmonias das cores e das alturas dos volumes. continuam a respeitar o espaço de quem as frequenta e que quer, apenas, estar.

se me pudesse sentar de novo no chão… sim, seria perfeito 🙂

Porque é que eu não gosto de ter MEO em casa

.  Quando só tinha 4 canais de televisão, era feliz. Para além da TVI não chegar nas melhores condições, tinha apenas 4 canais para percorrer. Era o céu.

Agora, com o MEO, os canais são mais que as mães (a FOX tem dois ou três filhos e a AXN também). Passar cinco minutos frente à TV quando “o comando não é MEO”, é uma experiência não apenas perturbante como capaz de despertar o pior que existe cá dentro e que, com grande esforço, tento manter enterrado sob camadas de delicadeza e boa educação.

Quando ainda me esforço para processar as cinco ou seis imagens que acabei de receber já estou sujeita a novo pacote de informação. Quando digo “deixa, quero ver…” já estamos noutro canal. É o inferno. E é apenas o pacote básico.

Ontem à tarde participei numa sessão de zapping :). À noite, a olhar para um bloco de notas, tentei ordenar a informação que batia de um lado para o outro do cérebro. Tarefa impossível.

É. O anti-teaching não é um movimento… é uma filosofia de vida.

o que eu aprendi nos últimos tempos

.  (ou como um hipertexto pode ser bastante útil quando não apetece escrever muito)

mais uma vez estou metida em coisas que me ultrapassam, mas mesmo assim vale a pena. nos últimos tempos aprendi imenso (e não falo de coisas académicas).

aprendi, por exemplo, que o conforto pode surgir mesmo de onde não se espera. que é mais fácil chorar que sorrir, mas que se consegue sorrir quando o coração se parte por dentro.

que numa conversa informal se descobrem novos amigos, e que os novos amigos nos fazem descobrir novos sons.

que não me sinto à-vontade com a exposição, mas que gosto de ser reconhecida em silêncio.

que há vícios que não se perdem, e gostos que se vão ganhando. que ainda gosto (e consigo) fazer desenhos.

que o melhor do mundo são as crianças, mesmo que não possam ser nossas.

que há mais livros na minha mesa que aqueles que consigo ler. que as coisas antigas têm valor, e as velhas amor. que afinal até fico bem nas fotos. que não tenho paciência para coisas estranhas.

é. a vida é uma aprendizagem. e a aprendizagem é um processo. logo, a vida é um processo… e um processo ensina-nos sempre coisas novas =)

tempo

.  andamos tão ocupados com tanta coisa, com trabalho e casa e estudos e projectos, que o tempo vai passando e nem nos apercebemos disso. trabalhamos em muita coisa, falamos imenso sobre tudo e nada, e aquilo que é importante (ou pelo menos tão importante quanto) fica adiado, para um dia mais tarde, quando tivermos tempo.

estes meses de dezembro e janeiro não foram fáceis. o trabalho, os projectos, as aulas. todos os dias, quando ia dar comida às minhas cadelas, dizia-lhes: “em Fevereiro têm a vossa dona de volta, falta pouco”.
Fevereiro chegou. a Lara, a minha cadela mais nova, a minha Husky de olhos azuis, morreu ontem de madrugada. estava muito doente, doente mesmo, uma infecção grave que se espalhou pelo seu corpo e que só poderia dar neste fim. teve a dona dela por cinco dias…
nos últimos dias (nos últimos tempos) tem sido chegar a casa e vir para o computador (que já coloquei frente à janela, para as poder ir vendo e falando com elas), onde se trabalha até tarde. depois, de manhã, toma-se o pequeno-almoço e sai-se a correr, dando a comida aos animais no menor tempo possível. não reparei que os seus olhinhos estavam menos azuis, que andava triste… reparei na sexta. quando tive tempo.
sei que a vida é assim, e que são apenas animais. ma são quem nos recebe com alegria depois de um dia de cão, são quem está sempre pronto a ouvir as reclamações ou mesmo os desabafos. estão sempre disponíveis, e não tive tempo para elas.
hoje tenho menos uma casota no meu jardim.