Karma

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. é o que normalmente acontece às pessoas “boas” quando, ao atingirem o ponto de saturação, decidem explodir educadamente. cada um pode dizer a barbaridade que quer, quando quer, a quem quer e como quer. mas quando um sossegado decide dizer que “já chega”, parece que cai o mundo.

pqp…

o homem 2.0

. o homem 2.0 não fala. escreve. não sorri. smil’a. não gargalha. loooo-la.

o homem 2.0 não tem amigos. tem contactos. não escreve cartas. posta posts. não pertence a um grupo. tem rede social.

o homem 2.0 não traduz por imagens, não desenha com palavras aquilo que quer dar a entender. publica vídeos. vai ao YouTube.

quero dizer que te amo? que me fazes sorrir? que estou em paz?

a felicidade demora 0.06 segundos a ser encontrada. o ódio um pouco mais.

a mesma rede que o liga prende-o. o mesmo fio que o prende, solta-o.

é um paradoxo, isto…

desejos de ano novo


. este ano só pedi quatro. a minha sogra esqueceu-se de comprar passas, só havia uvas (das grandes) e isto de engolir bagos com mais de 1 cm de diâmetro pode dar azia. assim, escolhi 4 desejos (três para mim e um para a minha irmã), sem olhar à infindável lista recomedada por todos, e da qual nunca me consigo lembrar.

dois desses desejos estão (que é como quem diz…) nas minhas mãos. basta vontade e paciência(muuuuita) para que a coisa ande. é nesses que vou investir :P. isto porque aparentemente 2008 é adverso a nativos de gémeos, que encontrarão conflitos em tudo aquilo em que se meterem. como uma das principais razões desses problemas é o arejamento natural deste signo e a forte tendência para respoder à letra quando provocado (segundo um site que a minha colega fez questão de ler em voz alta), o melhor é fechar as janelas, visualizar o chakra que fica mais ou menos a meio do torax (não sei se lá existe algum, mas entre 7 localizações possíveis – creio – alguma há-de ser lá) e respirar fundo. depois disto, responder se tiver que ser.

tirando isto… ler mais, escrever mais ainda. a ver se pelo menos um dos desejos/resoluções se cumpre 🙂

o principezinho


. é um dos livros que mais gosto de ler, e que me tem de certa forma acompanhado ao longo de quase 20 anos. ofereceram-no à minha irmã (que, bem me recordo, protestou e amuou por ter, com pouco mais de 8 anos, recebido um livro infantil…) mas quem o leu fui eu. creio até que fui eu a única pessoa que o li, lá em casa.

e li-o mais que uma vez: li-o com 12 anos, li-o anos mais tarde, li-o aos 20, aos 20 e muitos, e li-o há dias numa livraria, quando andava à procura de livros para oferecer no natal. não o comprei, porque gosto desta espécie de romance que tenho com ele: gosto de o encontrar, seja na prateleira de uma livraria, biblioteca ou até de um hipermercado, de o abrir e ler aquilo que, naquele momento, ele tem para me ensinar.

é uma história que tem crescido comigo: uma vez li as aventuras de um rapaz que gosta de uma flor, outra li a história de alguém que se faz amar e que depois não assume a responsabilidade desse afecto, outra vez descobri que “as coisas têm que ser vistas com os olhos do coração”. da última vez, deve estar agora a fazer duas semanas, li a história de alguém que não entende como se podem cumprir ordens sem lógica, e alguém que não é capaz de, no dia-a-dia, tirar prazer e descobrir coisas novas naquilo que faz (falo do acendedor de candeeiros, que passa a vida a acender e a apagar um candeeiro, minuto sim minuto sim, porque o seu planeta roda cada vez mais depressa. o principezinho viu, naquele planeta, a oportunidade de ver 24 pôr-do-sol…)

também sorri ao ver como o outro habitante de um outro planeta se entretinha a contar as estrelas e a guardar o número (delas) num papel, numa gaveta, mas desta vez foi a história do acendedor de candeeiros que me fez pensar. essa e as palavras do principezinho, quando fala nos seus vulcões: têm três, creio, que limpa com regularidade. mesmo o que está extinto, porque “nunca se sabe quando poderá entrar em erupção”.

durante este ano, grande parte dele, tenho sido um acendedor de candeeiros que negligencia o vulcão que está extinto. tanto o negligenciei, acendendo e apagando apenas o candeeiro, que algumas vezes “eruptei” (palavra nova). saiu fumo, vapor, quase lava. explodi imensas vezes, este ano. como me disseram, andei a “soltar vapor pelos corredores”. talvez por, durante 32 anos, me ter ocupado em demasia em manter limpinhos os vulcões dos outros, e não ter prestado atenção ao meu…

claro que, com isso, descobri (e bem) aquilo que me faz explodir. não sei se pelo stress que foi este ano (o triângulo da minha vida – profissional, pessoal e familiar – foi tudo menos equilátero), se por ter decidido, finalmente, que esta era a hora de acordar… houve quem estranhasse, houve quem aprendesse. e agora há quem me respeite, o que sabe sempre bem.

neste final de ano – e embora não seja dada a balanços nem a resoluções de ano novo – se colocar tudo em cima da mesa (o que de bom e menos bom aconteceu), o painel é francamente positivo. estranho, tipo pintura abstracta, mas positivo. é uma questão de olhar para ele, para a “caixa com três buracos”, e conseguir ver lá dentro a ovelha que se pediu.

quem já leu “o principezinho” sabe do que estou a falar…

quando os doidos saem à rua

. há uma passagem n’”O Pêndulo de Foucault” em que Belbo – uma das personagens – olha com um cepticismo divertido para uma problema em que se encontra envolvido porque o ridículo, o nonsense e a comicidade da situação são tais que anulam qualquer outro tipo de emoção.

hoje senti isso. hoje os loucos sairam à rua, instalaram-se à minha volta e decidiram que eu ia sofrer por todas as asneiras que fiz nesta e nas outras encarnações. juro que por vezes não sei o que se passa com o mundo, com as pessoas, se realmente vale a pena pensar antes de falar ou se calar alguém que berra com um berro ainda maior não será a melhor solução.

há muitos idiotas que passam por nós ao longo dos dias, e há dias em que muitos idiotas passam por nós. nestas alturas a única saída que nos resta, para não perdermos a sanidade, é fazer como o Belbo e cruzar os braços, olhando com interesse para o nó que paira por cima da nossa cabeça.

só assim nos mantemos sãos. ou isso ou mandamos um murro no jogador adversário.