o que eu aprendi nos últimos tempos

.  (ou como um hipertexto pode ser bastante útil quando não apetece escrever muito)

mais uma vez estou metida em coisas que me ultrapassam, mas mesmo assim vale a pena. nos últimos tempos aprendi imenso (e não falo de coisas académicas).

aprendi, por exemplo, que o conforto pode surgir mesmo de onde não se espera. que é mais fácil chorar que sorrir, mas que se consegue sorrir quando o coração se parte por dentro.

que numa conversa informal se descobrem novos amigos, e que os novos amigos nos fazem descobrir novos sons.

que não me sinto à-vontade com a exposição, mas que gosto de ser reconhecida em silêncio.

que há vícios que não se perdem, e gostos que se vão ganhando. que ainda gosto (e consigo) fazer desenhos.

que o melhor do mundo são as crianças, mesmo que não possam ser nossas.

que há mais livros na minha mesa que aqueles que consigo ler. que as coisas antigas têm valor, e as velhas amor. que afinal até fico bem nas fotos. que não tenho paciência para coisas estranhas.

é. a vida é uma aprendizagem. e a aprendizagem é um processo. logo, a vida é um processo… e um processo ensina-nos sempre coisas novas =)

tempo

.  andamos tão ocupados com tanta coisa, com trabalho e casa e estudos e projectos, que o tempo vai passando e nem nos apercebemos disso. trabalhamos em muita coisa, falamos imenso sobre tudo e nada, e aquilo que é importante (ou pelo menos tão importante quanto) fica adiado, para um dia mais tarde, quando tivermos tempo.

estes meses de dezembro e janeiro não foram fáceis. o trabalho, os projectos, as aulas. todos os dias, quando ia dar comida às minhas cadelas, dizia-lhes: “em Fevereiro têm a vossa dona de volta, falta pouco”.
Fevereiro chegou. a Lara, a minha cadela mais nova, a minha Husky de olhos azuis, morreu ontem de madrugada. estava muito doente, doente mesmo, uma infecção grave que se espalhou pelo seu corpo e que só poderia dar neste fim. teve a dona dela por cinco dias…
nos últimos dias (nos últimos tempos) tem sido chegar a casa e vir para o computador (que já coloquei frente à janela, para as poder ir vendo e falando com elas), onde se trabalha até tarde. depois, de manhã, toma-se o pequeno-almoço e sai-se a correr, dando a comida aos animais no menor tempo possível. não reparei que os seus olhinhos estavam menos azuis, que andava triste… reparei na sexta. quando tive tempo.
sei que a vida é assim, e que são apenas animais. ma são quem nos recebe com alegria depois de um dia de cão, são quem está sempre pronto a ouvir as reclamações ou mesmo os desabafos. estão sempre disponíveis, e não tive tempo para elas.
hoje tenho menos uma casota no meu jardim.

tempo

.  ando sem tempo: sem tempo para descansar, sem tempo para dormir, sem tempo para trabalhar. os diferentes “tempos” misturam-se sem nunca se concluírem… as tarefas deixam de ser fechadas, o descanso deixa de ser descansado… falta de tempo para gerir, para organizar, para respirar.

vivemos ao ritmo do café para despertar e do chá para dormir, dos descansos roubados no sofá enquanto um programa termina e outro começa.

é nestas alturas que entendo quem deixa tudo, TUDO, e se refugia num espaço só seu.

há algum tempo atrás…

.  …numa outra vida, escrevi isto:

elogio à preguiça…

a preguiça é um dom, que não está ao alcance de todos… saborear a preguiça é uma arte, uma forma de estar na vida.


é optar por ficar estendido quando nos chamam para correr… é escolher ficar na cama, mesmo quando já não se tem sono…
é olhar para a lista das “coisas por fazer” e pegar numa caneta, para seleccionar o que se fará mais tarde, e o que provavelmente nunca será feito.
é deixar derreter o chocolate na boca, é ficar debaixo do chuveiro depois da hora devida…
é ver o nosso autocarro a arrancar ao longe e optar por observar o seu andar lento, em vez de fazer aquela corrida para o apanhar…


completamente isenta de moral, de pressas, de sustos, a preguiça é na verdade O Dom Supremo… vivê-la é nunca sentir a consciência pesada pelo trabalho que se deixou por fazer.
infelizmente, como tudo de bom na vida, só está ao alcance de alguns privilegiados. para quem a não pode adoptar como estilo de vida, a solução é aprender a aproveitar os pequeninos momentos cedidos aos comuns mortais.


como chegar a casa, tirar os sapatos, e estender-se no sofá. mas antes, convém passar os olhos pela louça por lavar, o jantar por fazer, a roupa por arrumar… (é que só se goza realmente a preguiça quando se tem muuuuito que fazer).
bom descanso!

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há coisas eternas… não há?