por ela

.  ultimamente ando um pouco repetitiva. mais conversa menos conversa, mais post menos post, acabo por falar da Mariana com aquele entusiasmo e aquela dedicação que – não duvido – deve levar o meu interlocutor a considerar-me, no mínimo, idiota.

enquanto que na oralidade me contenho e só falo quando me perguntam (e aí é como uma barragem a descarregar água), na escrita a coisa é mais difícil. ora isto é, no mínimo, idiótico… é que sempre disse que não queria ser daquelas pessoas cujo mundo e universo e arredores andava à volta de uma criança. queria ter espaço para o resto, para outros interesses, para outros desafios.

e tenho. leio, escrevo, discuto, falo sobre redes e identidades, mas não posso negar que, no fim no fim, vai tudo ter a ela :).

se estou num dia menos bom, penso que dali a pouco tenho a Mariana nos braços. se estou triste penso nos minutos que faltam para sentir o cheirinho dela. se não me apetece almoçar nem jantar digo para mim mesma que ela ainda precisa da minha energia. se me questiono se valerá a pena todo o esforço nos estudos, penso que quero que ela tenha orgulho em mim.

são estes pensamentos que enchem o meu dia de sorrisos e os meus olhos de humidade. quando chego a casa e ela olha para mim – e, invariavelmente, começa a chorar pelo meu colo -, é como se num instante todo o dia se desfizesse e só aquele momento interessasse. pegar nela, cheirá-la, encostar a sua cabeça ao meu pescoço, são gestos que faço todos os dias e que, mesmo assim, continuam únicos.

esta coisa de ser mãe tornou-me um pouco idiota. deve ser por isso que me emociono com imagens como a que está no final do post. e que é tão verdadeira. porque quer tenhamos ou não a certeza de estarmos no bom caminho percebemos que, no fim de contas, sabemos bem porque o percorremos. mesmo que pareçamos idiotas. mesmo que sejamos repetitivos. é que, por ela, vale tudo.