Dia 16


. Acordar com o sol, beber café, ficar uns minutos no sofá.

Demorar dois segundos a decidir entre começar a arrumar a casa ou deixar para amanhã.
Fazer login, começar a trabalhar.

A manhã passou entre sorrisos e lágrimas.
A ausência dos amigos já pesa nos corações pequenos,
e os telefonemas aos avós já não trazem o gosto dos abraços.
Fazem qualquer coisa, pedem para brincar, eu digo que sim.
Há mais dias para fazer tarefas, e esta é uma manhã de sol.

Saem para fora, regam as plantas, riem, entram com as botas cheias de lama,
riem quando ralho sem ralhar, mudam de calçado.
A gata entra pela janela e enrosca-se num dos colos,
e a Mariana diz baixinho, feliz “este é um momento maravilhoso”.

À tarde o escritório-que-já-foi-quarto transforma-se num estaleiro, onde papéis e brinquedos e tesouras e computador se misturam entre as mesas.
“A mamã está numa aula”, digo-lhes, e é como se nada tivesse dito: entram, saem, riem, pedem ajuda.
“Agora não dá, amor, vai para a sala”, peço.
E do outro lado ouço risos que quem (ainda não tendo filhos) percebe que isto está a ser confuso para todos, que gerir casa e filhos e trabalho e a vida é tarefa que não estávamos assim tão preparados para receber.

Agora é fim do dia.
Sexta, fim de mais uma semana, a segunda (e meia) que passamos em casa.
Aproveito que estão entretidas para escrever mais um bocado.
Olho para as mesas e não encontro as canetas.
Suspiro, resisto ao desejo de por ordem nesta confusão toda.
Afinal, amanhã também é dia.
E vamos todos estar em casa.

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