Dia 56+24, 25 e 26


(os dias enganam e mais uma vez jantamos tarde. Não saio à minha mãe, no cumprimento quase militar dos horários das refeições: quando o dia é mais comprido, a hora de jantar estica e fica com um intervalo maior)

Na sexta de manhã o Mimos caiu na piscina. Ainda que a altura seja pouca – ou por isso mesmo – e não ter onde se agarrar, não conseguia sair sozinho. Salvou-o (literalmente) a Mariana, que da cozinha ouviu um barulho e foi ver o que se passava. Chegou até mim molhada, lívida, mão no peito e sufocada com os soluços.
O cachorro passou a noite preso, e sábado montámos uma estrutura DIY para proteger o bicho em caso de nova queda: ele não tem altura para subir, mas lá conseguiu saltar de um sítio que não sabemos onde fica e caiu na água. Agora nem se aproxima 🙂, mas ainda assim não ficámos descansadas.
Assim, a piscina-que-está-à-sombra tem agora um toldo atravessado por varas de alumínio 😃, um sistema à prova de cachorros e pequenas criaturas até 6 quilos (testado, aprovado)

Ontem foi domingo, e depois do almoço fomos passear. Sentíamos falta de verde maior do que o que temos em casa, falta de sair os quatro com um destino maior que aquele que fica no final da rua.Serra da Freira, linda, verde, névoas altas e rochas majestosas.
Numa subida, o susto: uma manada de vacas, chifres enormes, descia a estrada.
Um carro ultrapassa-nos, pára a dois metros, uma porta abre-se e sai um franzino guardador de vacas. E nós ali, parados, a ver um homem com um cajado a conduzir gado maior que ele, um cenário que as meninas só tinham visto em filmes.
Subimos a serra, descemos uma aldeia, vimos a Frecha da Mizarela. Lembrei-me do Samuel (não me perguntes porquê, Sammy-San 😃), mostrei às meninas o local onde a água rompe e repeti, mão na mão, o gesto que há muitos anos a minha mãe fez connosco.
No miradouro, um banco convida a sentar. Magui pede colo, diz que fica a fazer companhia à mãe “que tem medo de alturas”, a névoa pousa-se-lhe nos cabelos e o ar ganha o cheiro a flores. Pouco depois, saímos: um outro grupo aproximava-se, era preciso dar a vez.
Passeio curto, passeio bom.
Já em casa, Mariana diz baixinho como um segredo: “mesmo com um jardim grande, com espaço para brincar, sabe bem ver um mundo maior”.

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