Dia…


Dia… Já não sei que dia é.
Deixei de os contar quando chegaram aos 90, quando eu cheguei aos 45, quando um novo ano começou.
Neste dias, desde o 90º até ao de hoje, fomos voltando (devagarinho, e por algumas horas) a estar com quem mais amamos: com os pais/avós.
Nestes dias, fomos intercalando os telefonemas com os abraços dados pelas costas. Ainda não damos beijinhos, mas os “Adeus, avó!” já não ficam pelo som, leem-se nos olhos e nos sorrisos e nos acenos a dois metros.
Aos bocadinhos, vamos avançando.
Não com medo, mas com respeito.
Às vezes chegando mais perto, depois dando um passo atrás, para se aproximar pouco depois.

Ontem disse-lhes que íamos à praia.
Hoje acordaram cedo, com um entusiasmo e felicidade que se ouvia em cada riso.
A Torreira linda como só ela sabe ser: areia a perder de vista, ar a cheirar a sal, mar de ondas quase sem som.
A Torreira – que consegue ser tão agreste – hoje recebeu-nos como se tivesse saudades.
Ou como se soubesse as saudades que temos dela.

Aos poucos, devagarinho, vamos saindo.
Primeiro até casa de quem amamos.
Depois para a praia, aquela que sempre foi e sempre será a minha.
A praia que depois de hoje – suspeito – elas também começam a sentir como sua.

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