. Se hoje fosse a Mariana a escrever, diria que hoje acordou cedo.
E que foi ter com a mãe à cozinha, onde pediu o pequeno-almoço.
Diria que não o tomou logo.
E que quando comeu os cereais,
não o fez como sempre sentada no sofá mas sim à mesa, distante do chão.
E que comeu rápido – muito rápido – para que a manhã não fosse gasta em coisas tão básicas como comer.
Diria que hoje não pediu o telemóvel, que viu pouco Youtube.
E que esperou pelo acordar da irmã para sair para o jardim.
Depois, diria que o dia se resumiu a sair para brincar,
entrar para descansar, voltar a sair, entrar em casa, sair de novo.
Diria que está a ser responsável.
E que ontem – e hoje – foi o dia mais feliz da vida dela.
Como é a mãe a escrever, digo que acordei cedo e que não tomei logo o pequeno-almoço.
Antes disso, limpei o chão.
E que não me enrosquei no sofá como de costume, a beber o café.
Que o tomei em pé, porque sentar não era opção.
Digo que hoje trabalhei muito, compensando o dia de ontem em que – a pedido dela e por ser o seu aniversário – não escrevi nem um parágrafo.
Que quase nem saí para o jardim.
E digo que nunca, mas nunca, esquecerei como os olhos dela se encheram de lágrimas e de como, corada, enterrou o rosto naquelas orelhas peludas.
Nem de como se afastou num segundo, escondendo a vergonha por estar a chorar.
Há formas de “vermos” a felicidade.
As lágrimas da Mariana, ontem, foram a manifestação visível da felicidade mais simples, mais pura, mais profunda que alguma vez tive o privilégio de ver.
Mimos, bem vindo a casa
