. Amanhã fará um mês que estamos em casa.
Um mês sem ir a casa da avó Lúcia, um mês sem ir a casa da avó Maria. Um mês sem procurar na gaveta dos chocolates e perguntar “há surpresas, avó?”. Um mês sem trazer as bandas desenhadas e os descobre as diferenças que o avô Zé recorta e guarda todos os dias.
Um mês em que trabalho a partir de casa, um mês em que voltei a cozinhar cinco vezes ao dia, e em que voltei a fazer sopa a todas as refeições (nunca fiz tanta sopa como agora). Um mês em que não almoçamos com a minha sogra ou com os meus pais.
Sinto falta do arroz da D. Lúcia, com as ervilhas estufadas à parte que eu como como se não houvesse amanhã.
E de ouvir a minha mãe a dizer “olha que hoje não fiz nada de especial para o almoço” enquanto coloca na mesa carne assada no forno, com batatas douradas e broa frita.
Sinto falta de perguntar “o papá, onde está?”, e de ouvir “está no escritório a ler”. E do “avô Zéeeeeeee, avó Mariiiiia” que a Magui solta quando entramos lá em casa, como que a dizer “já cheguei, estou aqui”.São saudades que não estão guardadas em caixas, como as memórias dos tempos que recuperamos quando precisamos de os recordar.
São saudades diferentes, respiram e movem-se connosco.
Porra, custa muito estar longe de quem gostamos.