Dia 44


. Hoje foi dia de trabalhar muito e descansar pouco.
De escrever um dia inteiro, de não ver notícias, dia de não ler uma página de um livro, dia de não ver um minuto de TV.
Dia de não saber como andam as coisas lá fora.

Dia de as deixar “a crescer sozinhas”, assistindo à tele-escola e fazendo os trabalhos possíveis, dentro do que lhes é possível fazer.
Dia de comer massa com carne, deixada pela avó Lúcia do lado de dentro do muro, e de perceber que esta é a melhor “comida de conforto” do mundo. Dia de ouvir “a tua comida é boa mãe. e adoro a massa da avó”.

Dia de dizer três vezes “vão brincar lá para fora”, e de as ver entrar em casa de faces rosadas e olhos brilhantes.
Dia de só fazer três festas ao Mimos, de lhe dizer “és o meu cachorrinho lindo”, de perceber que afinal não sou pessoa de gatos mas sim de cães.Dia de varrer a varanda num minuto e apanhar roupa noutro.
Dia de dizer alto “vão arrumar o que deixaram lá fora”, e de sair para recolher o que ficou esquecido.
Dia de lhes pedir paciência. De lhes pedir que deixassem a mãe trabalhar. Dia de roubar minutos à família, e dia de os recuperar – ainda não é meia noite, e tenho meia hora para enterrar o rosto nos cabelos delas.

Amanhã é 25 de Abril, dia de Liberdade.

Que cada um a viva, à sua forma, celebrando aquilo que – nestes dias tão fora da realidade – aprendemos a valorizar mais do que nunca.

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