Dia 55+4


Domingo, dia de aniversário da mana.
Video-chamada de casa dos pais, rostos escondidos por máscaras, sorrisos adivinhados nos olhos.
Parabéns à distância, bolo sem velas para soprar.
Será este o novo normal?
Esta semana a Magui faz anos, quer um bolo “da família, da praia e do coração”. Ela, que quase antes de aprender a escrever o nome já desenhava a palavra “amor”, pede para os anos aquilo de que mais sente falta: os avós, os tios, os primos, a família; a praia, o sair de casa; o coração, o centro do amor.
Não haverá prendas: ainda vou a tempo de encomendar, as transportadoras entregam em dois dias, mas este ano é diferente e elas – sabendo disso – para o dia de anos só pedem que a mãe não tenha de trabalhar. Que passemos o dia juntas (como passamos todos os dias, nestes últimos dois meses), a ver filmes e a aproveitar cada hora, essa será a melhor prenda. E eu vou dizendo que sim, sem saber se terei de dizer que não. Tudo depende do trabalho que houver para fazer, e da forma como me conseguir organizar. O dia todo, dificilmente. Bastantes horas, certamente que sim 🙂

Amanhã é segunda. Os trabalhos da semana que passou estão feitos e enviados, aguardamos pelos da semana que está a começar.
Começo a fazer contas: o trabalho, mais as quatro horas de apoio à Magui, mais um pouquinho para a Mariana. Tudo junto, mais tudo o resto, é muito mais que metade de um dia. E a ausência dos nossos pesa, cansa, prende. Sinto falta dos meus, sinto falta dos almoços, dos lanches, das tardes em casa da minha mãe.
Hoje o dia começou bonito, com sol, com o mar lá ao longe e o céu com poucas nuvens. Ar a cheirar a fresco, a Primavera forte, a Domingo.
Mas depois, pouco antes de almoço, os jornais já falavam daquilo que hoje se fala. E o coração apertou-se, e a alma encolheu-se, e aquela névoa que de vez em quando se eleva do peito voltou. E ficou, tarde e noite. E ainda habita cá.

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