sinto falta…

.  … de beber café. não de um, ou dos três que bebo por dia. mas de café, muito café, tanto café.

… de decidir que afinal não vou já para casa e vou antes ao cinema. ou que vou fazer um desvio pela beira-mar.

… dos hamburguers do MacDonalds. dos swirls que servem de almoço. de francesinhas. de fast-food, de farturas, de natas do céu, de algodão-doce. e de pipocas. daquelas que se colam aos dentes.

… de ler na cama (eu sei que há coisas mais interessantes para se fazer na cama, como dormir, mas eu gosto de ler na cama). um livro, com muitas letras e poucas figuras (mas lido na cama, antes de dormir. no sofá ou na casa-de-banho não vale)

… de sair para ver casacos, de passear no fórum. de ouvir música com os fones nos ouvidos. de ver séries, pelo menos uma série.

… de dormir. uma noite inteira. sem que um choro umas vezes mais umas vezes menos meigo me acorde. sem ter de preparar um biberão. sem ter de esperar que o leite arrefeça. sem ter de me levantar.

… de mim.

.

tirando isto, não sinto falta de mais nada 🙂

mariana

.  a mariana fez-se de pedaços de um sono sonhado em segredo,
de um sonho a medo. murmúrio meigo e suave.
mariana é luz. quente. é toque, é dedos, é pés, é beijo e riso.

é sal e sol, é sabor a quase tudo e um cheiro a coisa boa.
é sopro.
é brisa leve, arrepio que sabe bem.
é abraço que se recebe dos olhos e sorriso que apenas se pede.

é sono, é pele, é cheiro.
entranha-se, sente-se, vive-se.

mariana é fechar os olhos e respirar baixinho.

é sentir os gestos e as coisas nas palmas das mãos…
e desejar que esse segundo permaneça para sempre.

a máquina dos sonhos

. sempre fui daquelas pessoas que dizia “quando tiver um filho não serei daquelas mães chatas que só sabem falar do bebé, e que fazem uma festa quando o pequeno espirra”. agora, digo que só não muda de opinião quem não tem abertura de espírito para deixar entrar novas ideias 😛

o projecto Mariana vai já com três meses “no campo” :). nestes três meses vi a minha pequena passar de um bichinho cabeludo e exigente para uma criaturinha que quer saber, explorar, que comunica e que pede interacção, e que me demonstrou que o ensino e a aprendizagem são duas dimensões do mesmo processo: crescer.

com a Mariana, aprendi a adormecer em cinco minutos e a rentabilizar as minhas horas de sono. descobri o mundo de uma nova perspectiva (visto do chão :D) e aprendi que as coisas levam o seu ritmo e que não é só pela nossa força de vontade que o mundo anda mais depressa. comigo, a Mariana aprendeu a diferença entre o dia e a noite, aprendeu a brincar com os bonecos, a agarrar nas coisas. e há-de aprender muito mais.

ultimamente, estou a (re)aprender o valor do tempo e da simplicidade das coisas :). aprendo que não é preciso gastar dinheiro em bonecos complicados quando as figuras que faço com as mãos a levam a olhar, a rir e a agarrar. aprendo que uma coisa simples, como uma fralda, dá mais conforto que dois ou três doudous.

aprendi ainda – e depois de tentar música clássica, embalo, canções infantis, maquinetas da chicco – que o som que adormece a Mariana é, pura e simplesmente, o som de um aspirador a trabalhar. uma autêntica “máquina dos sonhos” 🙂

um dia a Mariana gostará de Mozart e Beethoven. gostará de Jonsi/Sigur Rós. mas, para já, o que ela grama mesmo, mas mesmo, é o som do aspirador 🙂

.

a tal maquineta da chicco, que projecta estrelas no tecto, foi comprada mais para mim do que para ela :P. o dia pode correr menos bem, posso andar mais cansada, mas o certo é que não me importo.

à noite, quando o sol se põe, ouço a leve respiração da Mariana… e tenho um quarto cheio de estrelas 🙂

ch-ch-changes

.  desde há três semanas que o meu cabelo anda, dia sim dia sim, apanhado num rabo de cavalo; desde há três semanas que como sopa, saladas, verduras, fruta, todos os dias; desde há três semanas que me tornei fã de iogurtes com aroma a coco; desde há três semanas que não leio twitts, nem comento posts, nem descarrego músicas;

já não vejo séries – onde anda o “24”? – e começo a saber de cor o preço dos aparelhos de ginástica promovidos nas televendas. vejo os noticiários a partir das 6 da manhã, tomo o pequeno almoço quando posso e não quando quero, e os banhos de meia hora passaram a duches de 10 minutos.

há três semanas nasceu a Mariana e as noites e os dias nunca mais foram os mesmos: durmo pouco e aos pouquinhos, passo os dias e as noites a mudar fraldas, e o perfume que usava foi substituído por um cheiro a leite e a creme para bebés que não se vende em lado algum.

há três semanas nasceu a Mariana. e correndo o risco de ser lamechas, digo que não há um dia em que não agradeça a Deus pela vinda dela 🙂