. Há dias atrás uma amiga disse-me que “ser mãe é ter medo. sempre, para toda a vida”. Esta amiga tem 28 anos, ainda não é mãe, mas aprendeu da mãe – dela – o sentimento de recear as ameaças ao bem-estar e felicidade de alguém que nos enche a vida de forma irremediável.
Desde que pensei a Mariana que tive medo. Medo que ela não passasse disso, de um pensamento; medo que ela não fosse uma confirmação; medo que as coisas não corressem bem; medo que eu não corresse bem. Depois, aos bocados – e recorrendo àquele lado racional, forte, sereno, que me orienta quando me desoriento – consegui sufocar esse medo, empurrá-lo, enfiá-lo numa caixa para que não me assombrasse e ensombrasse a felicidade.
Mas esse medo, fechado na caixa, é como aqueles bonecos de mola: está lá, compactado, à espera de uma folga para se poder soltar. E, de vez em quando, salta. E, nessas alturas, luto de novo para não me deixar submergir pela ameaça do que ainda não existe e do que pode nunca existir (um acidente, uma doença).
“Um dia, quando fores mãe, vais perceber”, diziam-me. Agora sou mãe. E percebo.

