coisas simples

.  já sentia a falta de escutar música. de me deixar embrulhar nos sons, de sentir o ritmo percorrer a pele e misturar-se com o pulsar do sangue. em casa não é possível, uma vez que todos os meus sentidos estão ajustados à Mariana (é engraçado como, no meio do som da TV, dos monólogos “com” o GT e do som do ventilador, consigo ouvir os murmúrios ou gemidos da pequenina, duas divisões ao lado. a ligação wireless é mesmo boa 🙂 )

sabe bem ouvir música, senti-la crescer. ouvir de novo, perceber outro ritmo, uma nova base, é um exercício que me dá prazer e enche os sentidos. fechar os olhos por segundos. fingir que não existe mais nada. ou, quando se proporciona, encostar a mão às colunas e deixar que as vibrações dos graves percorram os dedos, braços e ombros, e se espalhem naquele espaço entre o pescoço e o crânio onde os sons fazem a festa.

esta é uma música que me faz sentir pequenina. insignificante perante a grandeza do som.

hoje está a ser um dia bom 🙂

Marianices

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_ a Mariana gosta:

– de arroz, massa, batatas e nabo aos bocadinhos; que se sentem com ela; que lhe leiam livros; de brinquedos onde pode enfiar o dedo indicador; de cores; que cantem para ela; que a embalem; de andar ao colo, no sling; que dancem para ela; de bater palminhas; do papá e da mamã; de canções com gestos, como a dos “olhinhos vermelhos”; de andar de carro; de pessoas com óculos; de um biberão às três da manhã; da girafa pequenina; das gotinhas de Vigantol; de fazer cócegas, com o indicador, no meu polegar; de brincar na mantinha dela; de comer; de rosnar; de gatinhar para trás; de livros com cores e sons; da música do Pingo Doce; de pão; da minha mão na dela.

A Mariana não gosta muito:

– de homens com barba; quando aparecem animais na televisão / quando aparecem pessoas na televisão; de dormir; que lhe vistam camisolas; de meias; da chupeta; de ficar sozinha.

A Mariana não gosta mesmo:

– do barulho do aspirador.

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(Mónica, a acordar cedo desde Abril de 2010)

sinto falta…

.  … de beber café. não de um, ou dos três que bebo por dia. mas de café, muito café, tanto café.

… de decidir que afinal não vou já para casa e vou antes ao cinema. ou que vou fazer um desvio pela beira-mar.

… dos hamburguers do MacDonalds. dos swirls que servem de almoço. de francesinhas. de fast-food, de farturas, de natas do céu, de algodão-doce. e de pipocas. daquelas que se colam aos dentes.

… de ler na cama (eu sei que há coisas mais interessantes para se fazer na cama, como dormir, mas eu gosto de ler na cama). um livro, com muitas letras e poucas figuras (mas lido na cama, antes de dormir. no sofá ou na casa-de-banho não vale)

… de sair para ver casacos, de passear no fórum. de ouvir música com os fones nos ouvidos. de ver séries, pelo menos uma série.

… de dormir. uma noite inteira. sem que um choro umas vezes mais umas vezes menos meigo me acorde. sem ter de preparar um biberão. sem ter de esperar que o leite arrefeça. sem ter de me levantar.

… de mim.

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tirando isto, não sinto falta de mais nada 🙂

às vezes sonho com um mundo perfeito

.  nesse mundo pode-se andar descalço sem que os pés fiquem sujos. as pessoas são amigas umas das outras e não só umas de umas ou outras das outras.

nesse mundo a malícia não tem maldade. ninguém é gozado. as opiniões e os conselhos são depositados numa cloud que cada um pode consultar quando e se quiser. pode-se deixar uma opinião para quem a quiser ir buscar

as pessoas riem porque sim. gargalha-se porque sabe bem. todos os risos fazem rir, mesmo os agudos e mesmo os graves. conversa-se pelo prazer que se tira disso.

nesse mundo há coisas bonitas e coisas feias mas não há fealdade. porque há coisas que são feias porque são feias, como há coisas bonitas porque são bonitas. nesse mundo não tenho medo de dizer que sou feliz.

às vezes sonho com um mundo perfeito.

mas depois acordo. e vejo que o mundo não é perfeito. mas que o MEU MUNDO anda lá perto 🙂