. … por isso vamos a ver como corre este post. é que a inspiração, por estes lados, tem andado pelas caves…
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há dias, antes do natal, disse à minha mãe que este ano não queria nada. ou melhor: que, se um génio me aparecesse e me quisesse conceder três desejos, diria que tinha tudo o que preciso. e é verdade. a vida não é perfeita – nunca foi nem nunca o será – mas posso afirmar, com e em consciência, que tenho tudo o que sempre desejei.
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sobre as coisas em geral
este foi tem sido um ano de mudanças. mudanças a nível pessoal, profissional, familiar. pequenas e grandes mudanças. mudança de emprego, de núcleo familiar, de relações com amigos e parentes. ano de limpezas, de arrumar o que não tem remédio, de (tentar) ultrapassar o que já devia ter sido ultrapassado há muito. um ano de reciclagem e de renovação.
sobre as coisas do trabalho
o ano de 2010 começou com o pensamento de “é só até março”. posso dizer, agora, que estava num emprego/trabalho/rotina que não me fazia feliz. vivia cada dia com o olho no dia seguinte, à espera que esse também passasse e chegasse o outro a seguir. uma candidatura à FCT, enviada sabe Deus porquê, com consciência mas sem grandes esperanças, deu-me a oportunidade de passar a ver os dias como dias e não como antecâmaras do dia seguinte. permite-me olhar para os estudos com o respeito e dedicação que eles merecem, com o empenho que sempre lhes quis dedicar. ao fim de 35 anos, 21 deles a estudar, estou onde sempre quis estar. se é por muito tempo? por pouco? não sei. mas como vivo e experimento cada dia como um dia, não estou preocupada com o dia seguinte. e isso, para variar, é muito bom 🙂
sobre a família e os afectos
também a este nível tem sido um ano marcante. ano em que decidi que há pessoas que são família, certo, mas apenas porque pertencem à mesma árvore genealógica. pessoas que não fazem falta e às quais eu não faço falta.
foi também um ano em que a Família (aquela com F grande, que invadiu o coração e se espalhou pelo corpo todo) cresceu. e não falo, ainda, da Mariana :). duas das 52 semanas deste ano – passadas entre o hospital de Aveiro onde o Gonçalo ia esmorecendo com uma infecção, e a casa dos meus pais, onde a Mariana ia chorando por não me ter com ela – serviram para me mostrar que as minhas raízes estão em terra firme, que a minha família são os meus pais e os meus sogros, os meus irmãos e as minhas cunhadas. duas semanas que me mostraram que o meu marido já não é parte da minha vida mas é a minha vida. duas semanas com lágrimas, ansiedade, angústia. duas semanas que – ainda que pudesse – nunca irei esquecer.
sobre a Mariana
a Mariana é o amor da minha vida. é o meu centro, o meu princípio e o meu fim. uma espera de 4 anos. uma luta de muitos meses. está ali, no carrinho, a dormir o sono da manhã, e não me canso de olhar para ela. a ciência conseguiu dar-me (dar-nos) aquilo que a natureza, por si só, nunca conseguiria. é um tesouro, uma bênção, um milagre.
ter a Mariana junto de mim dá-me paz, faz-me feliz. amamentar a Mariana foi uma coisa que nunca esquecerei. ouvi-la a dizer “mamã” é coisa que ainda hoje me faz chorar. vê-la a sorrir, a estender os braços quando me aproximo, a querer brincar comigo quando lhe quero dar a sopa, é coisa que enche os meus dias. junto dela sou autêntica, verdadeira. junto dela sou.
a Mariana é o meu espaço Zen. é nela que penso quando preciso de calma, de motivação, de inspiração, de tranquilidade. a Mariana é. tudo.
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e pronto, está feita a reflexão. ainda muito havia para dizer mas o principal está aqui.
beijinhos, e bom ano novo :). que vosso – e o meu – sejam tão bons quanto este foi :).
