Dia 8


. A roupa que ontem secou descansa agora nas gavetas.
Há um cheiro bom a limpo, um aroma a dias normais.

Hoje é Dia do Pai, e vamos fazer bolo:
“De chocolate, para depois guardarmos em caixas e o pai levar para o trabalho”.
E elas dizem que “o teu arroz já sabe ao da avó”,
e eu percebo que é o sal, esse sabor que elas começam a sentir falta.

A avó – que continua na luta, a ajudar os que mais precisam – deixou gomas na beira do muro.
Comem-nas duas a duas, quatro a quatro,
e eu deixo porque nestes dias mornos precisamos de coisas assim: fortes, doces, salgadas.
De coisas que nos arranquem destes dias em que um é igual ao outro,
e ao outro,
e ao outro,
e ao outro.

Precisamos, sobretudo, de sentir.
Mesmo que seja medo.
Mesmo que seja receio.
Mesmo que seja saudade.
Mas precisamos de sentir.

eu preciso.


(hoje foi a Margarida quem fez a cama 🙂 )

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