Dia 9


. Acordar, fazer a cama. Fazer café, enroscar cinco minutos no sofá. Aguardar.

As miúdas adaptam-se maravilhosamente a este novo ritmo sem ritmo, organizado em “duas horas de manhã e duas horas à tarde”. O resto do tempo é delas (nem sempre para elas), para fazerem o que mais gostam.

Já quase não há bolo, “mãe, este é mesmo o melhor do mundo!”
As professoras enviam exercícios, mas – também elas em casa com os filhos? – têm uma sabedoria imensa e doseiam tudo com redobrado cuidado.
Elas sabem aquilo que nós dizemos que “o meu filho não!”: que a criança não aguenta muito tempo sentada, que a atenção dispersa, que o cansaço cresce.
Que isto é uma maratona, não um sprint.
Que é preciso gerir o esforço.

Hoje é sexta.
Acordei, fiz pilates, tomei banho, pus máscara no cabelo, tenho caracóis: é a primeira vez em nove dias que não seco o cabelo à bruta e o apanho com elástico logo a seguir.
A fase de “angústia turbulenta” está a passar.
Mantém-se o medo, o susto, a ansiedade, mas a angústia – que anda aqui desde a semana passada – já se instalou e já não incomodada tanto. Assentou, ganhou raízes, aguenta-se sozinha e já não requer que eu olhe por ela.
Aprende-se a viver assim.

Agora chove, e hoje é sexta.
Vamos fazer pipocas, enroscar no sofá e ver filmes até adormecer. Depois vou pegar numa e noutra, e levá-las ao colo até à cama.
Há coisas que mudam.
Felizmente, há outras que não 🙂

Boa semana, valentes.

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