Dia 21

. Três semanas em casa, com três saídas apenas: uma para a farmácia, duas para comprar fruta.
Dia de sentir saudades das pequenas coisas que, há três semanas, faziam os rituais dos nossos dias.
De deixar as meninas na escola, e ouvir um “Bom dia!” da Professora Anabela.
De ir para o carro e receber o “bom dia” da Sandrine. De a ver levar os meninos da Probranca, em fila, até ao portão da escola, e de lhes dizer adeus.
De esperar pela gentileza de um condutor, para me meter na Nacional.
De ouvir as Manhãs da 3 até chegar à UA. De reclamar por não ter estacionamento, de tentar enfiar o carro num espaço onde parecia não caber nada, de sair de lado, apertada, para a porta não bater no carro vizinho.
Saudades da D. Lúcia, do “olá amor, é café?”, e da chávena que me entregava antes de ter tempo de dizer que sim.
Saudades do DigiMedia, saudades dos meus colegas, saudades daquelas janelas que parecem não ter fim.
Saudades do “Olá Mónica”, do “Bom dia Carlos”, do “até amanhã, pessoas humanas”.

Saudades dos dias normais.
Daqueles em que vinha para casa, em que tocava à campainha e subia as escadas de casa da minha sogra. Saudades de a ver sorrir enquanto me abria a porta e dizia “hoje está menos frio que ontem”.

Mas é também o terceiro dia de férias, as da Páscoa.
Dia de acordar mais tarde e de voltar a pedir torradas quentinhas. De ficar em pijama até à hora do banho.
De repetirem “não temos nada para fazer”, e de receberem uma folha de papel maior do que o seu tamanho.
De sugerir “desenhem uma cidade”. De ouvir “pode ser uma vila? As cidades são grandes, e gostamos de viver na Branca”.
Dia de responder que sim, e de sorrir porque sinto o mesmo.

Dia de começar mais um mês.
Do tempo todo que deveremos estar em casa – e que não sabemos quanto vai ser – já faltam menos três semanas.


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