. Dia 25, Dia de Ramos
Acordar a meio da noite com o barulho da chuva,
pensar nos tapetes deixados no estendal a secar,
virar para o outro lado, enroscar num cabelo a cheirar a flores.
Hoje é Domingo de Ramos.
Um Domingo diferente, vivido da forma a que as circunstâncias obrigam:
sem procissão, sem Eucaristia, sem o cheiro a incenso e alecrim.
Onde antes se cantava “Hossana”, estende-se agora silêncio.
É um Domingo de Ramos diferente, um em que as cruzes e os ramos deixam as Igrejas e se espalham pelas portas de quem – nestes tempos e com medo – sente esta falta de viver a Fé.
Hoje é domingo.
Dia de bacalhau com natas e queques de chocolate, de lanche de regueifa com manteiga, de ficar no sofá com o telemóvel da mãe e de ver um pedaço de um filme que se estava a guardar há séculos.
O dia em que a família se junta no mesmo espaço e se descansa, distrai.
Dia em que cada um faz a sua mochila, reúne as suas forças, arruma o seu coração, para amanhã continuar.