. Passa das oito, a casa está limpa, a roupa secou, daqui a nada vamos jantar.
Lá fora, parece, começa a chover.
Acordei cedo, bebi café.
Do outro lado da casa, tudo dorme.
Não sou pessoa de acordares maus, a sério que não. Mas aqueles minutos que separam o acordar do início do dia são uma necessidade a viver sozinha, em silêncio, são o sair de um mundo que vive na minha cabeça para entrar no mundo onde vivem todos os outros.
Devagar. Com calma.
Acordam ao mesmo tempo, deixamos o papá dormir. Pequeno-almoço embrulhado em mantas, um despertar vagaroso que eu sei que lhes sabe bem.
Pedem que me sente com elas, mas digo que “Hoje é sábado” e elas sabem o que quero dizer: é dia de cuidar da casa, de preparar uma semana, de abrir janelas e de limpar o chão.
Dia quente, almoçar lá fora. Tarde de sol, brincar no jardim.
A Mariana diz “gosto da nossa casa”, a Magui diz “anda brincar connosco. A pele está corada das corridas e da bola, os amuos passam rápido quando o ar cheira a relva e flores.
Fim do dia, hora de banho. O regresso ao cheiro a flores e erva-doce. O secar os cabelos, o dar um beijo nos narizes molhados. “Gosto muito de ti”, digo. “Eu sei”, ouço em resposta.
Gosto dos sábados. Sempre gostei.
Só acho que nunca percebi a importância de o dizer.
