Dia 46


. Balanço do dia de hoje: já não há bolachas de massa folhada.

As cookies foram-se todas, ainda temos bolacha maria, e pelo menos há regueifa fresquinha. Mas já não há queijo. Já não há cerveja, nem moscatel. Há vinho do Porto, uma garrafa vintage aberta para a Páscoa e que tem servido para temperar a carne.
Há água, há café, há gin. E ainda temos água tónica.

Há maçãs e ainda há morangos, e na fruteira quatro peras abacates amadurecem devagar.
Há cereais, há Nestum, há daquelas coisas com fibra e três frascos de feijão-frade por encetar.
Mudaram-se para cá por engano, pedi grão e veio feijão, e suspeito que vão ficar escondidos mais algum tempo. Pelo menos até eu aprender a fazer migas.

Apetece-me broa de milho, mas não temos. Apetece-me gelado de chocolate, mas já acabou. E queria muito – muito – arroz doce, mas nem para risotto tenho paciência e já deixei queimar o doce três vezes.
Apetece-me a broa frita da minha mãe, e o bolo com creme de leite que a minha sogra faz tão bem.

Hoje foi dia de arrumar a dispensa.
De perceber o que tenho, o que preciso, do que sinto falta.
A vida também se vive pelo paladar, pelas memórias que se constroem e pela comida que no-las faz recordar. Quem leu “Como água para chocolate” sabe do que falo.

São dez e meia.
Acho que vou atrasar a hora de deitar, e vamos as três fazer um bolo 🙂

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