Dia 56+12


São quase sete e meia e volto ao computador, para fechar coisas que ficaram por terminar.
Não me queixo.

O dia começou cedo, acordar com a casa em silêncio. Ao tentar sair para dizer olá ao Mimos, reparo que não tenho a chave de casa – ficou no carro, que ficou na garagem. Para abrir a garagem, é preciso a chave que ficou no carro. Pescadinha de rabo na boca, portanto, mas não faz mal: sai-se pela janela, entra-se pela mesma via. Está sol, apetece estar lá fora, o resto são detalhes sem importância.

A manhã corre bem, a concentração voltou, sabe bem trabalhar.
Almoça-se cedo, porque a tarde é longa.
Zoom da Mariana às duas e às três; moodle e música às três e meia; à mesma hora, Magui tem sessão com os amigos do ATL 🙂, termina os trabalhos de casa em minutos (os mesmos que, comigo, levam duas horas e trinta e duas lágrimas para ficarem concluídos). Depois da Magui, Mariana. No meio eu, a reunir por telefone.
Foi confuso? Mais ou menos. Cansativo? Nem por isso, hoje o ânimo é outro.

Fechadas as aulas, terminado o telefonema, “tudo lá para fora apanhar sol”.
Fizemos isto hoje, pouco antes de almoço. Voltámos a fazer agora, pouco antes do jantar. Faz falta o sol, o correr na relva, o brincar com o Mimos, o fugir da gata, faz falta rir.
“Mãe, tira uma foto!”
Há muito que não tiramos fotos. Estar em casa é estar despenteada, é não ter tempo nem vontade para vestir melhor, é colocar camadas e camadas de roupa quando está frio e ir tirando à medida que o tempo fica mais ameno.
Mas hoje tirámos fotos. Muitas 🙂, e foi tão bom!
Tenho as calças com manchas nos joelhos – que espero sejam de água… – o cabelo uma miséria, dói-me a barriga de tanto rir.

Estar em casa dos meus pais, com os meus pais, trouxe-me à alma o ânimo que andava a faltar. Estar com eles, ouvir-lhes a voz, ver-lhes o rosto, sentir-lhes o riso, carregou as baterias e mostrou, mais uma vez, que o que realmente importa é isto: viver, estar com quem amamos, rir e chorar com os nossos.
Os tempos não mudaram, apesar das notícias tudo continua na mesma. E isso dói. E porque dói, preciso de reaprender a viver. Seja com máscara e desinfetante, seja lavando a roupa a 90º, seja usando lixívia com água fria. Arriscando o mínimo, para viver o máximo que estes tempos permitem.
No fundo, é desejar (com a mesma força e desespero do início) que tudo corra bem. Que tudo corra mesmo bem.
Até lá, até ao dia em que poderemos dizer isso, aproveitam-se os dias de sol, as horas roubadas, as tiradas do pai e o riso da mãe. Traz-se para casa abacates, sopa fresca e fermento para fazer pão.

Ontem carreguei as minhas energias.
Hoje, carreguei as energias delas.

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