Dia 22

. Acordar e sair de fininho da cama. Beber café, enroscar no sofá, esticar os músculos, sentar diante do computador, trabalhar.

O dia move-se ao ritmo da hora antiga, mas esta inadaptação não me preocupa: não temos horas de entrada, nem horas de saída.
Acordo mais cedo, é certo, mas deixo-as dormir para que eu – que já acordei – me organize e tenha tempo para trabalhar.

Dez horas, pés pequenos, “bom dia mãe”, pequeno-almoço no sofá.
Dez e meia, som de mimo, abraço de unicórnio, pequeno-almoço na cama.
Mimos pequenos guardados para os dias de festa, mas todos os dias são preciosos e o mimo deve nascer quando se pede, e não apenas quando se justifica ou se precisa dele.

Ao fim do dia, um desenho enviado por uma amiga.
Rosto sério, olhos brilhantes, “o que se passa?”, “hoje sim, estou com saudades dos meus amigos”.
E mais colo, e mais mimo, e mais “sentir saudades é bom, é sinal que gostamos de alguém”.
E um “amanhã faço eu um desenho”.
Olhos já secos, riso de novo fácil, tristeza que se dissipa como as neblinas da manhã.

Assim é a Margarida. Assim são os nossos dias.


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