sinto falta…

.  … de beber café. não de um, ou dos três que bebo por dia. mas de café, muito café, tanto café.

… de decidir que afinal não vou já para casa e vou antes ao cinema. ou que vou fazer um desvio pela beira-mar.

… dos hamburguers do MacDonalds. dos swirls que servem de almoço. de francesinhas. de fast-food, de farturas, de natas do céu, de algodão-doce. e de pipocas. daquelas que se colam aos dentes.

… de ler na cama (eu sei que há coisas mais interessantes para se fazer na cama, como dormir, mas eu gosto de ler na cama). um livro, com muitas letras e poucas figuras (mas lido na cama, antes de dormir. no sofá ou na casa-de-banho não vale)

… de sair para ver casacos, de passear no fórum. de ouvir música com os fones nos ouvidos. de ver séries, pelo menos uma série.

… de dormir. uma noite inteira. sem que um choro umas vezes mais umas vezes menos meigo me acorde. sem ter de preparar um biberão. sem ter de esperar que o leite arrefeça. sem ter de me levantar.

… de mim.

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tirando isto, não sinto falta de mais nada 🙂

às vezes sonho com um mundo perfeito

.  nesse mundo pode-se andar descalço sem que os pés fiquem sujos. as pessoas são amigas umas das outras e não só umas de umas ou outras das outras.

nesse mundo a malícia não tem maldade. ninguém é gozado. as opiniões e os conselhos são depositados numa cloud que cada um pode consultar quando e se quiser. pode-se deixar uma opinião para quem a quiser ir buscar

as pessoas riem porque sim. gargalha-se porque sabe bem. todos os risos fazem rir, mesmo os agudos e mesmo os graves. conversa-se pelo prazer que se tira disso.

nesse mundo há coisas bonitas e coisas feias mas não há fealdade. porque há coisas que são feias porque são feias, como há coisas bonitas porque são bonitas. nesse mundo não tenho medo de dizer que sou feliz.

às vezes sonho com um mundo perfeito.

mas depois acordo. e vejo que o mundo não é perfeito. mas que o MEU MUNDO anda lá perto 🙂

para tudo é preciso inspiração…

.  … por isso vamos a ver como corre este post. é que a inspiração, por estes lados, tem andado pelas caves…

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há dias, antes do natal, disse à minha mãe que este ano não queria nada. ou melhor: que, se um génio me aparecesse e me quisesse conceder três desejos, diria que tinha tudo o que preciso. e é verdade. a vida não é perfeita – nunca foi nem nunca o será – mas posso afirmar, com e em consciência, que tenho tudo o que sempre desejei.

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sobre as coisas em geral

este foi tem sido um ano de mudanças. mudanças a nível pessoal, profissional, familiar. pequenas e grandes mudanças. mudança de emprego, de núcleo familiar, de relações com amigos e parentes. ano de limpezas, de arrumar o que não tem remédio, de (tentar) ultrapassar o que já devia ter sido ultrapassado há muito. um ano de reciclagem e de renovação.

sobre as coisas do trabalho

o ano de 2010 começou com o pensamento de “é só até março”. posso dizer, agora, que estava num emprego/trabalho/rotina que não me fazia feliz. vivia cada dia com o olho no dia seguinte, à espera que esse também passasse e chegasse o outro a seguir. uma candidatura à FCT, enviada sabe Deus porquê, com consciência mas sem grandes esperanças, deu-me a oportunidade de passar a ver os dias como dias e não como antecâmaras do dia seguinte. permite-me olhar para os estudos com o respeito e dedicação que eles merecem, com o empenho que sempre lhes quis dedicar. ao fim de 35 anos, 21 deles a estudar, estou onde sempre quis estar. se é por muito tempo? por pouco? não sei. mas como vivo e experimento cada dia como um dia, não estou preocupada com o dia seguinte. e isso, para variar, é muito bom 🙂

sobre a família e os afectos

também a este nível tem sido um ano marcante. ano em que decidi que há pessoas que são família, certo, mas apenas porque pertencem à mesma árvore genealógica. pessoas que não fazem falta e às quais eu não faço falta.

foi também um ano em que a Família (aquela com F grande, que invadiu o coração e se espalhou pelo corpo todo) cresceu. e não falo, ainda, da Mariana :). duas das 52 semanas deste ano – passadas entre o hospital de Aveiro onde o Gonçalo ia esmorecendo com uma infecção,  e a casa dos meus pais, onde a Mariana ia chorando por não me ter com ela – serviram para me mostrar que as minhas raízes estão em terra firme, que a minha família são os meus pais e os meus sogros, os meus irmãos  e as minhas cunhadas. duas semanas que me mostraram que o meu marido já não é parte da minha vida mas é a minha vida. duas semanas com lágrimas, ansiedade, angústia. duas semanas que – ainda que pudesse – nunca irei esquecer.

sobre a Mariana

a Mariana é o amor da minha vida. é o meu centro, o meu princípio e o meu fim. uma espera de 4 anos. uma luta de muitos meses. está ali, no carrinho, a dormir o sono da manhã, e não me canso de olhar para ela. a ciência conseguiu dar-me (dar-nos) aquilo que a natureza, por si só, nunca conseguiria. é um tesouro, uma bênção, um milagre.

ter a Mariana junto de mim dá-me paz, faz-me feliz. amamentar a Mariana foi uma coisa que nunca esquecerei. ouvi-la a dizer “mamã” é coisa que ainda hoje me faz chorar. vê-la a sorrir, a estender os braços quando me aproximo, a querer brincar comigo quando lhe quero dar a sopa, é coisa que enche os meus dias. junto dela sou autêntica, verdadeira. junto dela sou.

a Mariana é o meu espaço Zen. é nela que penso quando preciso de calma, de motivação, de inspiração, de tranquilidade. a Mariana é. tudo.

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e pronto, está feita a reflexão. ainda muito havia para dizer mas o principal está aqui.

beijinhos, e bom ano novo :). que  vosso – e o meu – sejam tão bons quanto este foi :).

sobre memórias

.  as nossas memórias também estão ligadas aos objectos que fazem – ou fizeram – parte da nossa vida. como objectos que são – esses que nos trazem memórias – são por nós considerados como secundários, frios, coisificados, até ao dia em que os deixamos de ter.

como o meu anel de curso, que os meus pais me ofereceram com tanto orgulho quanto esforço.

como o meu anel de noivado, oferecido pelo meu marido no dia em que, finalmente, acedeu a casar comigo.

como a minha aliança de casamento.

como o anel de noivado da minha mãe, uma jóia que eu usava com tanto orgulho quanto devoção.

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quando assaltaram a minha casa – umas semanas antes da Mariana ter nascido – não invadiram apenas o meu espaço. não me deixaram, apenas, com uma sensação de violação. não desfizeram, apenas, a ideia de invulnerabilidade que todos temos, em maior ou menor dose. não roubaram, apenas, ouro.

levaram com eles pedaços das memórias que fazem a minha vida.

e isso não lhes perdoo. e isso não esqueço.

e isso dói.